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O drama que passa ao lado da comunicação social portuguesa
Pai de vitima de atentado da ETA em Barajas pondera processar Estado
espanhol
A história trágica de Diego Estacio está bem presente na memória dos
equatorianos. Em declarações ao jornal Ecuador Universal, o pai, revoltado,
não descarta a possibilidade de processar o Estado espanhol. "Se tivessem
verificado todo o parque de estacionamento teriam salvo o meu filho", diz
Winston Estacio. A namorada do filho avisou a policia com mais de 20
minutos de antecedência de que Diego estava no parque. "Eles tiveram tempo
e não o fizeram".
O pai de Diego está convencido de que a ETA não assassinou o seu filho. "Se
eles (ETA) anteciparam com mais de 2 horas e meia era para que não houvesse
mortes", manifestou. Referiu que é preferível o diálogo e que se há acordos
não haverá mais mortos a lamentar.
O que se soube sobre este acontecimento: absolutamente nada.
Preso político basco há 80 dias em greve de fome
Iñaki de Juana Chaos está preso há mais de 20 anos. Depois de ter cumprido
a sua pena, o Estado espanhol arranjou um pretexto para o manter
encarcerado. Dois artigos no jornal Gara foram o suficiente para o condenar
a mais 10 anos de prisão efectiva. Depois de ter finalizado uma greve de
fome contra a possibilidade de vir a ser condenado por escrever num jornal,
Iñaki recomeçou outra contra a decisão. Há mais de 80 dias sem se
alimentar, o Estado espanhol amarrou-o a uma cama e submete-o a alimentação
forçada. Há poucos dias, os médicos afirmaram que corre sério risco de
morrer a curto prazo.
O que se soube sobre este acontecimento: nada.
Tribunais proibem comício e polícia reprime manifestação
Há poucas semanas, um comício convocado pela Askatasuna, organização
anti-repressiva basca, foi proíbido. Milhares de pessoas ocuparam as ruas
de Donostia (São Sebastião) e contestaram a decisão dos tribunais. As
pessoas desfilaram e protestaram gritando por independência, pela
libertação de Iñaki de Juana Chaos e contra o PNV e a polícia. Durante meia
hora sentaram-se no chão e terminaram o protesto cantando o 'Eusko
Gudariak' [hino basco]. Logo de seguida, uma brutal carga da polícia fez
dezenas de feridos. Uma mulher de 50 anos foi atingida por uma bala de
borracha no tórax e um homem de avançada idade desmaiou. Algumas pessoas
encontraram um jovem inconsciente depois de ter sido agredido pela polícia.
Foram ainda detidas duas pessoas, uma das quais está no hospital por ter
sido espancado durante a detenção. Também foi detido um membro da delegação
internacional convidada para o comício.
O que se soube deste acontecimento: alguns jovens bascos provocaram
distúrbios numa manifestação.
Jornalista francês solidário com povo basco preso e torturado
Nesse mesmo dia, um jornalista da rádio francesa Txalaparta foi detido
quando se dirigia para o comício. Sebas Bedouret trabalha em solidariedade
com o povo basco e foi nessa condição que se dirigiu ao comício de
Donostia. Foi interceptado por uma barreira policial espanhola. Nunca
chegou ao destino. Foi preso, levado para Madrid e torturado. Sebas
Bedouret não é basco, nem está envolvido na esquerda independentista. É um
cidadão francês que, como nós portugueses, luta solidariamente pelo povo
basco. Por isso, o seu testemunho é ainda mais gritante. Não porque haja
tortura com maior ou menor sentido. Nenhum acto de tortura faz sentido. Mas
é gritante e demonstrativo de que qualquer pessoa pode ser presa e
torturada pelo facto de se solidarizar com a causa independentista basca. É
mais um exemplo da política fascista do Estado espanhol em relação ao País
Basco.
O que se soube deste acontecimento: nada.
Jovens independentistas perseguidos
A situação agravou-se no País Basco. A decisão repressiva do Supremo
Tribunal em considerar a Segi, organização juvenil independentista basca,
como terrorista foi mais um golpe dado pelo Estado espanhol contra um
possível processo de paz. A indignação percorre o povo basco e nem o
Partido Nacionalista Basco teve coragem de apoiar a decisão do Supremo
Tribunal. Todos condenam a decisão menos o PSOE e o PP.
Neste momento, há um mandado internacional de captura para 19 jovens da
Segi. 4 jovens foram presos nos últimos dias. Os outros fugiram e estão
escondidos. O Estado espanhol lança jovens para a clandestinidade. Como um
Estado fascista, mostra a sua face grotesca. Aos jovens presos, [Olatz
Carro Boado, Amaia Arrieta Gonzalez, Igor Ortega Sunsundegi, Ikor Frade] e
aos que fogem às garras da repressão, mostrámos a nossa mais profunda
solidariedade. Estamos com eles.
O que se soube deste acontecimento: mais uma vez, nada.
Associação de Solidariedade com Euskal Herria (ASEH)
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