segunda-feira, abril 09, 2007

ME com força para encerrar escolas mas fraco face à violência escolar

"O encerramento de escolas ultrapassa os próprios critérios que o Ministério da Educação tinha previsto", acusa Manuela Mendonça, dirigente do Sindicato dos Professores do Norte (spn) e do secretariado da Fenprof, em conferência de imprensa. Em causa a dimensão do encerramento e o que Manuela Mendonça afirma serem "as movimentações dos CAE no sentido de alargar o encerramento no próximo ano lectivo às Escolas Básicas de 2º e 3º ciclos". Já «em relação à violência escolar o ME mostra-se totalmente apático».
Apesar de reconhecer a necessidade do encerramento de certas escolas do 1º ciclo, o Sindicato dos Professores do Norte (spn) mostra-se crítico ao modo como a reorganização da rede escolar está a ser feita e à dimensão que está a atingir. "Trata-se de um encerramento administrativo, que em muitos casos não atende à dimensão pedagógica", acusa Manuela Mendonça.
Para a sindicalista o encerramento de escolas deveria estar a ser negociado no "plano local, com as autarquias, os encarregados de educação, as escolas e os alunos", o que diz, não estar a ser feito. Prova disso, a contestação que se tem gerado entre as populações. Questionada sobre qual seria a actuação no plano sindical face a esta contestação, Manuela Mendonça afirmou que os sindicatos "podem denunciar situações e apoiar as iniciativas das comunidades que se manifestarem contra os encerramentos". Sobre o facto de o ministério estar a ultrapassar os seus próprios critérios, Abel Macedo, coordenador do SPN sublinha: "Já não se trata de encerrar escolas com menos de sete alunos, algumas escolas encerradas têm mais de 20 alunos e bom aproveitamento escolar." Outro dos aspectos que tem sido relegado, acusam os sindicalistas, é que muitos dos encerramentos violam as Cartas Educativas definidas pelos Concelhos.
Durante a conferência de imprensa os dirigentes do SPN chamaram também a atenção da opinião pública para as consequências da fusão de escolas: "A lógica da concentração de escolas gera unidades orgânicas de grandes dimensões que dificultam a necessidade de criar espaços mais humanizados que permitam responder aos problemas da violência escolar. O ensino exige hoje maior proximidade entre alunos e professores, menor dimensão das escolas e não o contrario", sublinha Manuela Mendonça.

Violência e indisciplina

Adriano Teixeira de Sousa, dirigente do SPN, mostrou-se preocupado com a crescente indisciplina e o aumento de casos de violência entre alunos e sobre professores. Aproveitando a conferência de imprensa para frisar que "as medidas ministeriais têm sido propícias à criação de uma imagem negativa no plano social sobre o empenhamento dos professores nas escolas". Facto que na opinião do dirigente, contribui para a desautorização e desvalorização pública crescente do professor. Algo que pode ser factor potenciador da violência contra os professores.
Os dirigentes sindicais mostraram uma profunda preocupação em relação ao problema da indisciplina e da violência escolares. «Estes fenómenos exigem profundo e cuidado estudo e respostas adequadas a cada situação, escola e região», enfatizaram. «Aceitar como natural o fenómeno e não combater as causas que estão na sua origem, só vem reforçar e ampliar os graves problemas de insucesso e abandono escolar da escola portuguesa e tornar ainda mais penoso o trabalho de milhares de professoras e professores», declarou um dos sindicalistas.
O sindicato propõe-se promover no interior da sua estrutura o debate entre professores sobre esta problemática, mas, reforçam, «é ao ministério e ao governo da nação que cabe desenvolver as políticas, as medidas e as acções que contrariem estes fenómenos». O sindicato, pelo seu lado, só pode apontar políticas e caminhos de solução, não dispondo dos meios materiais e políticos que contribuam para eliminar este tipo de problemas.
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=5339

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