O ME, no que à avaliação de desempenho diz respeito, pretende impor,
teimosamente, a pior solução – implementar de qualquer maneira, ainda este ano,
o processo de avaliação – provocando a balbúrdia e a perturbação nas escolas com
situações de manifesto desrespeito pela lei e geradoras de injustiça.
SUSPENDER A AVALIAÇÃO É, NÃO SÓ, A EXIGÊNCIA DA PLATAFORMA,
MAS A MELHOR SOLUÇÃO…
1. … Por ser muito desigual a situação entre escolas: umas já avançaram
quase integralmente com o processo de avaliação, enquanto outras ainda
não o iniciaram.
Em todas as escolas há uma constante: a incerteza e a perturbação sobre o
que se deve fazer.
2. … Porque, as escolas que já avançaram, no todo ou em parte, com os
procedimentos da avaliação fizeram-no num quadro de desrespeito pela lei,
não tendo em conta que os despachos que lhes permitiam avançar
(despachos de 24/1 e 25/1 dos secretários de estado) foram suspensos por
providências cautelares. Posteriores orientações do ME procuraram, apenas,
contornar essa situação remetendo para as escolas o ónus de eventuais
ilegalidades;
3. … Por não ser justo, nem legal, que o processo decorra de forma diferente
entre escolas ou, dentro da mesma escola, entre professores. Neste caso,
não se coloca a questão de autonomia, pois a legislação é clara no que
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respeita à uniformização do processo. Uma coisa será a existência de
instrumentos próprios de avaliação interna, outra seria a existência de
procedimentos diferenciados, uns mais simplificados, outros de maior
complexidade. Estariam em causa princípios como os da igualdade e da
equidade.
4. … Por não haver outra solução dentro do quadro legal que vigora, pois:
a) ou há condições para aplicar o disposto no Decreto Regulamentar
nº 2/2008, de 10 de Janeiro, que já contempla procedimentos
específicos para 2007/2008, designadamente nos seus artigos 33º
e 34º, e hoje sabe-se que tal, no seu conjunto, é manifestamente
impossível;
b) ou terá de se suspender a sua aplicação este ano.
Qualquer solução de outro tipo, intermédia ou diferenciada, seria
ilegal e permitiria que o docente sujeito à avaliação a impugnasse.
O EQUÍVOCO DOS “7.000”
Não serão apenas 7.000 os docentes em avaliação em 2007/2008, mas a
totalidade. A diferença é que 7.000 serão já este ano classificados, sendo os
restantes apenas no final do biénio (2008/2009). Portanto, esta confusão entre
“avaliação” e “classificação” tem sido uma forma de o ME, junto da opinião
pública, procurar criar uma imagem de flexibilidade, ao mesmo tempo que, de
facto, impõe, já este ano, os processos de avaliação, aplicando-os à totalidade dos
docentes.
O PROBLEMA NÃO SE RESUME À AVALIAÇÃO
A avaliação é apenas uma peça, embora muito importante, do ECD que
nos foi imposto. Desse ECD decorre ainda a divisão da carreira em categorias, a
prova de ingresso na profissão ou as sobrecargas de horários e trabalho que todos
sentem no seu dia a dia profissional, entre outros aspectos negativos.
Por essa razão, a revisão, em 2009, do “ECD do ME” é uma das
exigências dos professores. Não sendo esse um processo simples, no imediato,
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devemos exigir a suspensão da avaliação e que, em 2008/2009, esta avance a
título experimental, havendo, no final, um período para a alteração negociada do
regime que vigora.
A RESOLUÇÃO APROVADA NA MARCHA PROPÕE MEDIDAS
PARA DESBLOQUEAR A ACTUAL SITUAÇÃO DE CONFLITO
O que separa os professores do ME não se resume ao ECD. Por essa razão
aprovámos uma Resolução que contempla outros aspectos. Foi com base nela que
apresentaram ao ME as seguintes propostas com que se pretendia contribuir para
o desbloqueamento da actual situação de conflito com os professores:
1. Suspensão da avaliação do desempenho este ano lectivo e garantia de
que, daí, não advirão prejuízos para os professores;
2. Não aplicação, este ano, de qualquer procedimento decorrente do novo
regime de gestão que ainda aguarda promulgação e posterior publicação;
3. Negociação de normas sobre horários de trabalho para 2008/2009 que
garantam um mínimo de 9 horas de componente individual de trabalho e a
consideração efectiva da formação contínua como integrando o horário de trabalho
dos professores;
4. Respeito pelas decisões e sentenças dos Tribunais, designadamente pela
extensão de efeitos das já transitadas em julgado;
5. Revisão de processos negociais, que deverão decorrer em 2009, de
revisão do ECD, da nova legislação sobre direcção e gestão escolar e do novo
regime sobre Educação Especial.
Estas foram as reivindicações imediatas que 100.000 professores
aprovaram em 8 de Março, na Marcha da Indignação. O ME nem à primeira delas
admitiu dar resposta positiva.
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Como afirmámos, houve de início, uma certa abertura do ME, porém, essa
atitude foi logo negada pela ministra, em Conferência de Imprensa. Na sexta e na
segunda, dias 14 e 17 de Março, em novas reuniões, confirmou-se a inflexibilidade
ministerial.
Se, nas questões de fundo, o ME assume a total inflexibilidade, há um
conjunto de aspectos relativos ao processo de avaliação que o ME afirma ter
“aligeirado” ou “flexibilizado” designadamente, em escolas onde não se verificaram
as condições necessárias para a plena aplicação do processo de avaliação:
ausência de observação de aulas, simplificação da fixa de avaliação, etc.
Todavia, estas medidas nada alteram de essencial ao problema que existe,
limitando-se o ME a tentar, por todas as formas, que a avaliação de desempenho
seja implementada já no actual ano lectivo, de modo diversificado o que criará
situações de grande confusão, de desigualdade e de injustiça relativa.
Em suma, o ME quer simplificar apenas para garantir que o processo
avance, mesmo onde não se reunirem as condições mínimas, o que é inaceitável.
O QUE PODEM FAZER OS PROFESSORES NAS ESCOLAS
Os professores, inclusive os que integram os órgãos de direcção e gestão
escolar, têm uma palavra essencial a dizer quanto ao desenvolvimento deste
processo na sua escola e que deverá ser expresso, colectivamente, evitando
posições de isolamento.
Em primeiro lugar, deverão exigir o cumprimento da lei em vigor, só
devendo permitir o desenvolvimento do processo quando estiverem asseguradas as
necessárias condições, nomeadamente sobre o ponto de vista jurídico, e exigindo,
também, que essa aplicação seja feita no respeito pelas condições de
funcionamento e de qualidade da escola.
A esse nível, o Conselho Pedagógico terá uma palavra essencial a dizer,
pois compete-lhe aprovar as fichas de avaliação, o que deve fazer respeitando a lei
e os interesses dos professores e estudantes, não devendo aceitar pseudo-soluções
que seriam ilegais e geradoras de problemas e dificuldades acrescidas. O ME, não
pode fazer avançar o processo num quadro de ilegalidade.
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Os professores deverão opor-se a que se lhes apliquem procedimentos
ilegais. Recorda-se que as providências cautelares ainda não mereceram decisão
definitiva, o que retira eficácia a qualquer acto que decorra dos três despachos que
estão suspensos.
Da mesma forma, qualquer procedimento de avaliação a que, na sua
escola, o professor seja sujeito, é sempre passível de impugnação.
Em qualquer situação de dúvida deverão os professores contactar, sem
demora, os serviços jurídicos dos seus Sindicatos.
A ACÇÃO E A LUTA DOS PROFESSORES
Caso o ME mantenha a sua decisão, não nos resta outra alternativa que
não seja continuar a lutar para que se possa ser Professor e para que a Escola
Pública resista à actual política.
Nesse sentido, encontram-se previstas acções públicas de protesto para as
primeiras semanas do 3º período.
O dia 17 de Abril será o Dia D, de Debate nas Escolas, em que os
professores se reunirão para fazerem o ponto da situação e, sobretudo, debaterem
a forma de prosseguir a sua justa luta que, a partir daí, deverá tornar-se ainda
mais forte.
VAMOS APROFUNDAR E VALORIZAR A FORÇA E A UNIDADE DOS
PROFESSORES
A PLATAFORMA NÃO DESILUDIRÁ OS 100.000 PROFESSORES E
EDUCADORES QUE TORNARAM GRANDIOSA A MARCHA DA INDIGNAÇÃO
A Plataforma Sindical dos Professores
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