segunda-feira, março 03, 2008

A Dúvida De Uma Manhã de Nevoeiro

Os críticos dos professores acham que estamos contra este modelo de avaliação porque estaremos sempre contra qualquer modelo de avaliação. Que pegamos em detalhes para recusar, recusar, sem nunca defender nada de alternativo em concreto.
Mas talvez fosse bom - e quanto a alternativas já as aflorei em posts há algum tempo - que esses críticos tentassem reclectir sobre alguns aspectos de uma avaliação qu parece querer pretender manter os professores empermanente estágio ou ano probatório.
Digam-me, por favor, qual são as funções no sector privado que implicam apresentar todos os anos planificações de trabalho hora a hora como nos querem pedir a nós?
Só para eu entender se não serão os críticos a estar mal habituados!
Porque aos professores pede-se que façam uma planificação, aula a aula, de todo o seu trabalho anual.
No meu caso são cerca de 700 planificações de três disciplinas e duas áreas curriculares não disciplinares distintas.
Uma coisa é termos planos de trabalho, uma agenda do que se vai fazer num dia, numa semana, num mês. Esse é o nosso horário de trabalho, que já temos com as aulas que damos todos os dias, durante a semana.
Outra é querer para todas elas um plano detalhado de execução, como se tudo fosse automatizado: às 10 horas entramos, às 10.05 fazemos o sumário; às 10.10 abrimos o manual e começamos a abordar a vida na Idade Média; às 10.20 lemos o documento 2 e às 10.30 analisamos a figura 27; às 35 os alunos colocam dúvidas; ás 10.40, o professor recapitula a matéria e questiona os alunos. Tudo muito direitinho, tudo irreal, tudo absolutamente contrário a um ensino dinâmico e interactivo, atento ao que se passa a cada momento na aula.
Isto para todo um ano de trabalho, todos os anos.
• Gostava de saber se um médico apresenta o plano do conteúdo das suas consultas, consulta a consulta.
• Se um juiz ou advogado planificam assim a sua actividade diária.
• Se um jornalista apresenta diariamente um plano detalhado do que fará, hora a hora.
Uma observação quase recorrente nesses críticos é que os professores nunca levantaram a voz contra o sistema anterior. Só posso falar por mim. Não levantei porque nunca me achei excelente; mas levantei contra forma de trabalhar como a que agora é proposta. E fi-lo não à mesa de um café mas durante a minha profissionalização, em trabalho entregue para a respectiva avaliação. O qual até foi bem avaliado. Com classificação que até ronda o excelente.
Porque o meu modelo de ensino não é a produção em série de autómatos, sejam eles os docentes ou os alunos.

http://educar.wordpress.com/


P.S. Devo admitir que desconheço o processo de avaliação dos médicos, dos advogados, dos engenheiros…. Não seria interessante dar a conhecer esses processos como termo de comparação?
Gostaria que me dissessem, se a senhora Ministra quando voltar para o ISCTE
1-se vai ter um horário igual ao dos seus assistentes.
2- Tem falta se chegar atrasada à aula ou a uma reunião?
3- Faz a planificação de todas as aulas, descrevendo recursos e metodologia de trabalho utilizado?
3- Os pais têm assento no Conselho Pedagógico?
4- É costume os pais insurgirem-se contra a avaliação dos seus filhos e utilizarem linguagem vernácula?
5- Os alunos perturbam o funcionamento das aulas, comprometendo assim, o processo de ensino-aprendizagem?
6- É avaliada pelo resultado de frequências?
7- A Ministra pretende formar jovens que quando entrarem no mundo do trabalho, levam a reboque contam os papás para desancarem nos patrões?

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