
Falar sobre a indisciplina na escola tornou-se inevitável nos últimos dias. Mais uma vez, foi necessário um vídeo para que se levantasse um clamor unânime que ecoou por televisões, jornais, blogs levando a uma reflexão sobre o clima que se vive em muitas escolas.
Na verdade, a indignação suscitada por aquelas imagens, justa como é, mostra que muitos comentadores que se permitem dar opiniões sobre as iniciativas da actual equipa ministerial estão completamente desfasados da realidade. A realidade das escolas de hoje já não é o que era no tempo em que muitos dos nossos comentadores fequentaram o D.Pedro, o Camões, a Carolina Michaelis… a realidade social de que são feitas as nossas escolas de hoje é bastante distinta daquela que existia nos anos sessenta e setenta. De resto, a realidade, difere de escola para escola, de acordo com o público que a frequenta. Atrevo-me a pensar que um dos grandes problemas do ensino em Portugal, é o de se dirigir para alunos fictícios, ou seja, aqueles que (quase) só existem no wishfull thinking do legislador, isto é, alunos que gostam de aprender, que têm pais que se interessam pelo percurso escolar dos filhos e os incentivam a adquirir conhecimento, alunos que podem adquirir materiais, que têm no mínimo quatro refeições por dia e, a quem a família exige que se comportem dentro de determinados parâmetros. Ora…
O problema da indisciplina na escola é um problema civilizacional: passou-se do 8 para o 80. No passado, a criança era tratada como um adulto a quem eram conferidas responsabilidades desde muito cedo. Actualmente, a criança é um pequeno “rei”, por vezes um “tirano”, que não só impõe as sus vontades à família como depois, também quer impor a sua vontade na escola.
Os jornais ingleses The Guardian e The Daily Telegraph publicam, hoje, a este propósito, as conclusões de um estudo encomendado pelo Sindicato Nacional de Professores (National Union of Teachers), que merece a nossa reflexão:
O mau comportamento nas escolas é alimentado por pais “super indulgentes” que não sabem dizer não aos seus filhos, de acordo com os estudos. Os professores estão a lidar com um “pequeno mas significativo” número de alunos que fazem birras na aula quando a sua vontade não é satisfeita, ficam exaustos porque se deitam tarde e têm pais “beligerantes” que tomam o partido dos filhos contra os professores.
“Estes pais, eles próprios sob pressão social e muitas vezes incapazes de lidar com o comportamento dos filhos, podem ser muito agressivos, por vezes recorrem à violência para proteger os interesses dos filhos.” Os professores descreveram pais “altamente permissivos que permitem tudo para não se aborrecerem e que não recorrem a sanções ou incentivos.”
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Recomendo a leitura integral dos artigos citados.
O jornal ABC (Espanha) publica hoje a sentença em que uma mãe foi dada como culpada de "não educar" o filho de 14 anos e, origada a pagar 14 000€ de indemnização pela sua "laxitud" e "tolerancia".
http://hekate-hkt.blogspot.com/
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