sábado, abril 12, 2008

5 mil euros por aluno (parte 1)

O Ministério da Educação afirma que um aluno custa, por ano, cerca de 5 mil euros ao Estado! O número, só por si, nada diz. Pode ser muito, ou pode ser pouco, depende dos pontos de vista. O que seria interessante saber é se esse dinheiro está a ser bem gerido e se está a ser bem aplicado.

Quando o Estado gasta 5 mil euros num aluno que pura e simplesmente se “está nas tintas”, faltou a grande parte das aulas ao longo do ano, não teve aproveitamento e teve problemas disciplinares, o que é que o Estado faz? Retira os apoios que esse aluno eventualmente possa ter? Não! Esbanja o dinheiro no ano seguinte, e no outro e no outro ano, sem exigir nada em troca.

Já leccionei numa escola onde alguns alunos iam lá mais ou menos uma vez por mês. Essas visitas coincidiam com os dias em que podiam ir levantar as senhas do passe social, para poderem dar umas voltas nos transportes públicos à borla. Tal como conheci vários alunos que apareciam na escola ao fim da manhã, almoçavam e iam depois à sua vida (entenda-se a “sua vida” como uma vida totalmente externa à escola). E também vi manuais escolares que permaneceram serenamente durante um ano lectivo, à espera de serem levantados por alunos que tinham apoio social e, por isso, tinham direito a recebê-los gratuitamente. Mas que nunca o foram porque eram destinados a pessoas que não tinham nenhum objectivo de os usar nas aulas… até porque nem iam às aulas.

Obviamente que estas situações não aparecem apenas em alunos desfavorecidos. Muitos outros há que fazem o mesmo sem receberem apoios sociais. Mas quer a uns quer a outros não são pedidas quaisquer responsabilidades. Nenhum tem de responder pelo investimento que todos nós fazemos neles, com o dinheiro dos nossos impostos.

Aquilo que o Estado faz é incentivar a desresponsabilização. Imaginemos que um aluno que atingia um determinado número de faltas injustificadas deixava de ter apoios de qualquer tipo. E que um aluno que tivesse atitudes de indisciplina que implicassem suspensão seguia o mesmo caminho? Imaginemos que o mau aproveitamento por questões disciplinares ou por absentismo injustificado implicava o pagamento de propinas no ano seguinte? Imaginemos que aos pais era apresentada a factura, no final do ano lectivo, caso os seus filhos tivessem tido um elevado número de faltas injustificadas ou tivessem tido problemas disciplinares graves? Se calhar, estes 5 mil euros por aluno passariam a render muito mais.

Claro que medidas destas iriam provocar o horror dos defensores de que as crianças e os adolescentes têm de ser desculpabilizados em tudo o que fazem. Claro que medidas destas iriam ser conotadas de fascizantes e elitistas. Claro que sim. Mas tenho a certeza de que formaríamos gente muito mais responsável. E teríamos pais muito mais atentos. E alunos menos caprichosos.
http://almocreve.blogspot.com/

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