sábado, abril 05, 2008

Da Obrigação de Resultados, da obrigação de Recursos e da Obrigação de Competência

Já aqui referi, por diversas vezes, esta temática. A ela retorno e a um texto clássico de Philippe Perrenoud de que cito um excerto, mas que recomendo a leitura integral:
(...) Há áreas do trabalho humano nas quais é possível e legítimo exigir resultados. Para isso é preciso reunir ao menos quatro condições :
1. Que o problema a ser resolvido seja puramente técnico, ou seja, que as finalidades da acção sejam perfeitamente claras e que os profissionais não tenham outra tarefa que não a de buscar os melhores meios de atingir objectivos inequívocos.
2. Que a acção dos profissionais dependa apenas marginalmente da cooperação ou da mobilização de pessoas ou de grupos independentes da organização que os comanda.
3. Que o estado dos saberes teóricos e profissionais torne possível uma acção eficaz na maior parte das situações encontradas.
4. Que as situações com as quais os profissionais de mesmo nível de qualificação se confrontam sejam, senão idênticas, ao menos relativamente comparáveis.
Essas condições não estão reunidas no ensino. Vejamos por quê. (...)
Aos professores é possível e eticamente exigível a obrigação de ser competente. E ser competente é, basicamente, fazer aprender os alunos nas múltiplas dimensões em que a educação se tem de manifestar. Mas nenhum professor consegue ensinar (no sentido de fazer aprender) quem não quer. Ou em contextos de extrema turbulência, anarquia e indisciplina. E porque há numerosas variáveis que não dependem de si, é teoricamente impossível decretar a obrigação de resultados (para além de ser eticamente inconcebível).
Por seu lado, a administração educativa está obrigada à disponibilização de recursos para que o ofício docente seja possível a tempo inteiro no interior das próprias escolas. E os pais têm também, como se sabe, diversas outras obrigações naturais e constitucionais que não podem ser esquecidas.
http://terrear.blogspot.com/

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