sexta-feira, abril 11, 2008

Das Brigadas de Inspecção das DRE

Para além dos comentários já colocados em entrada anterior, várias fontes consultadas, e que me merecem crédito, testemunham o seguinte:

i) que estas equipas não sabem bem o que estão a fazer; não sabem o papel que devem assumir; que estão meias perdidas entre a 'voz do dono' e a 'voz de uma consciência profissional';
ii) que chegam 'a medo', tendem a ser os 'olheiros' e os 'ouvidores' do reino, que reportam o que lhes dizem para informação superior (ignoram é que muitas vezes o que vêem e o que ouvem não é a realidade 'real' mas a que é suposto quererem ouvir...);
iii) que chegam a dizer que vêm 'ajudar as escolas', mas não sabem qual o objecto; e então replicam os piores vícios de serem enrolados com muitos papéis (sobretudo os planos de recuperação e de acompanhamento);
iv) que demonstram, regra geral, uma postura de subserviência face aos poderes, e pouca sensibilidade e saber sobre como ajudar, de facto, as melhorar as práticas de organização e gestão pedagógica das escolas;
v) que duplicam e amplificam o discurso dos resultados (é preciso pôr a escola a trabalhar para os resultados), da obsessão da medida, da quantificação, mas, regra geral, sem saberem muito bem o que dizem e por que o dizem;
vi) não obstante, são 'boas pessoas' e que até podem agir de 'boa fé';
vii) que controlam usando o telemóvel dos presidentes dos conselhos executivos, querendo saber 'como vai a avaliação', 'se já aprovaram os instrumentos de registo', se e se...
viii) e que se sentem que do outro lado há hesitação e desnorte, ou até cansaço, ou até exaustão ou esgotamento logo aparecem no dia seguinte para controlar não se sabe bem o quê....
ix) que no fim passam (um pouco na postura de pedinte) uma grelha de avaliação da 'visita de apoio à escola' onde os PCE têm de avaliar numa escola de 1 a 5 critérios do tipo clareza de comunicação, utilidade da presença, etc... sendo óbvio que que as notações tendem a ser o máximo, não constando haver imposição de quotas.

Ora, esta realidade aqui relatada assume uma gravidade sem precedentes. Daqui a uns meses haverá estatísticas da excelência do trabalho destas equipas atestadas pelas próprias escolas. Admito que estas imagens não representem toda a realidade. Admito até alguma caricatura. Mas, mesmo assim não deixa de ser grave o que se está a passar sob a directa responsabilidade de um secretário de estado que deveria saber fazer as coisas de outro modo. As cortinas sobre as realidades serão cada vez vão ser mais opacas. Os jogos das aparências aumentarão exponencialmente. E não deixa de ser muito triste (para não usar uma expressão mais radical) que se assista a uma clara contradição nos modos de agir destas equipas de 'apoio' e a actividade emancipatória, interpelante e responsabilizante da IGE.
J. Matias Alves
in http://terrear.blogspot.com/

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