1.
Não posso acreditar que os professores estejam contentes! Estiveram 100 000 na rua para exigir um modelo de avaliação decente e justo e agora vêm congratular-se com esta cedência... da Plataforma, não do ME. Nada mudou. Nada! Já tínhamos esse cenário: escolas a fazer os mínimos e escolas a ser mais papistas que o papa. O modelo de avaliação não foi alterado: para o ano estará mais forte do que nunca e vão ser as escolas que já adiantaram serviço que sairão beneficiadas. É uma vergonha! Os professores, quando sairam à rua, não era isto que queriam! "Avaliação SIM, mas esta NÃO! - e agora vêm congratular-se de esta avaliação ter obtido o aval dos sindicatos?
Continuo a achar - e agora mais do que nunca - que os movimentos têm que se unir e que voltar à rua (o Dia D vai servir apenas para os sindicatos irem "explicar" aos professores a cedência que acabaram de fazer ao ME. Claro que os media vão fazer passar a mensagem exactamente às avessas: como desta vez a ministra pôs travões a fundo e não se veio vangloriar da sua vitória, coube aos sindicatos o triste papel de vir publicamente clamar vitória... e o mais triste é que os professores mais aguerridos acreditaram nesta vitória. Estou verdadeiramente indignada, não tanto pela Plataforma (dos sindicatos já espero tudo) mas dos professores entrarem tão facilmente neste coro que canta vitória! Na minha opinião muito pessoal, é tempo de voltar à rua. Vale tudo: SMS's, blogues, apelos aos movimentos. Mas principalmente torna-se mais do que nunca urgente que os mais lúcidos venham mostrar a sua força aos sindicatos e que se organizem seja lá como for no sentido de se juntarem à porta da Assembleia da República na cerimónia oficial do 25 de Abril, fazendo chegar um documento com o seu protesto contra as políticas educativas (incluindo o Decreto-Reg. 2/2008). Não importa que desta vez não estejam 100 000, podemos ser 1 000, os que forem, o que importa é reafirmar publicamente o nosso repúdio e em seguida juntarmo-nos aos outros trabalhadores. Sem o apoio dos sindicatos somos menos, disso não há dúvida, mas somos os que somos e continuamos dignamente firmes a defender aquilo em que acreditamos!
Não se deixem esmorecer! Não se contentem com esta triste "vitória". Ela é uma mentira! (Reparem no que Mário Nogueira defendia a semana passada e reflictam!):
Colega,
Acredite que não é necessário pensar, sequer, uma vez, pois não está colocada qualquer hipótese de Acordo com MLR. Só se essa revogasse o ECD, a Gestão, a legislação sobre Educação Especial e, qual cereja em cima do bolo, se demitisse.
Quanto a alguma solução que desbloqueie a actual situação de conflito, passa pela aceitação, pelo ME, das propostas que hoje levaremos (hoje no nosso site).
Quanto ao "capitularem mais uma vez", sinceramente, não consigo lembrar-me qual foi a vez anterior, o que recordo, isso sim, é que em 8 de Março estiveram 100.000 colegas na rua, convocados pelos seus Sindicatos. Como é evidente, não deixaremos de honrar os nossos compromissos. Não por qualquer razão que pudesse ditar o "nosso" fim, mas porque esse fim, enquanto Professores que somos, seria o de todos nós Professores.
Com os melhores cumprimentos
Mário Nogueira
2.
Pouco depois de Cavaco ter promulgado o diploma da gestão e administração escolar, Mário Nogueira vem afirmar que conseguimos uma grande vitória. Esforço-me por entender e não consigo: a que chama GRANDE vitória? A uniformização de procedimentos por parte das escolas e a simplificação da avaliação dos contratados no final deste ano lectivo? Será esta uma grande vitória quando o modelo da avaliação que moveu 100 000, como bem diz a (...), continua intacto (terei percebido bem?) chegando-se ao ponto de negociar as remunerações dos coordenadores e adiando-se a alteração do modelo (acreditam?) para Junho e Julho de 2009?E o ECD? E a divisão da carreira? E a prova de ingresso? Toda a legislação, afinal, que irá arrasar a escola pública?
Vai ser necessário, por isso, aproveitar ao máximo o dia D e resta-nos esperar que os delegados sindicais sejam merecedores da nossa confiança ao ponto de incorporarem posteriormente as nossas reivindicações nas suas agendas de trabalho.
Quanto à questão das manifestações, embora concorde com o Manuel em relação à não ida à Assembleia, estou de acordo com a Paula no sentido de lutarmos em todas as frentes – na rua também. Integrarmos o desfile do 25 de Abril seria uma boa maneira de chamar a atenção da população.
3.
Uma provisória e pequena vitória - No Dia D continuar e agravar as formas de luta!
Sobre o Modelo de Avaliação saudamos esta provisória e pequena vitória obtida - ela deve ser realçada.
Mas essa "vitória", no aspecto meramente técnico e no quadro governativo/pré-eleitral presente, era já irreversível e mesmo assim obtida numa matéria muitíssimo parcelar em relação aquilo que a classe tem sobre a sua cabeça.
Assim, o texto de cabeçalho no site da FENPROF (da autoria de quem, pois não está assinado?) sobre o Memorando assinado é infeliz e maximalista, já para não o classificar de "deturpador", porquanto tentar reduzir as exigências dos 100.000 colegas que encheram o Terreiro do Paço - gritando insistentemente a palavra de ordem "Ministra para a rua! - a este capítulo parcelar do dossier reivindicativo é uma desonestidade política inaceitável. E não só. Pelo tom auto-elogioso que foi redigido, presta um mau seviço ao esforço de mobilização para o próximo Dia D, que todos queremos, e é vital que seja, o ponto de partida do contra-ataque da Classe para formas de luta agravadas que encostem este ME à parede e estilhacem a carreira bipartida, o ECD prisional, o modelo de director imposto, a municipalização e privatização do ensino, a anunciada monodocência para o 2º ciclo e a precarização galopante da profissão, só para falar de algumas magnas questões.
Magnas questões, aliás, prioridade do 9ª Congresso da FENPROF e das resoluções finais lá aprovadas. Pelas quais nos continuaremos a bater, sem equívocos e sem desfalecimentos!
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