sexta-feira, abril 04, 2008

O que fazer daqui em diante? Pode a greve aos exames ser uma hipótese viável?

“A partir de dia 17 de Maio, os protestos à noite e ao fim-de-semana acabam” e, se o Ministério da Educação (ME) não aceitar as exigências apresentadas - entre as quais a suspensão da avaliação docente este ano lectivo -, “dificilmente” não se seguirá o recurso à greve e a outras formas de luta. O aviso é deixado por Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e porta-voz da Plataforma Sindical, que reúne as 14 estruturas do sector, que ontem entregou um abaixo-assinado com 20 mil assinaturas na sede no Ministério.

Em declarações ao DN, Mário Nogueira explica que as acções de luta serão decididas pelos próprios professores, num conjunto de plenários no dia 15 de Abril que, acredita o sindicalista, irão impedir a realização de aulas nas escolas, durante o período da manhã, em todo o País: “Não será uma greve, mas um plenário nacional, ao abrigo da lei sindical”, explicou. “Vai iniciar-se às 09.30 nas escolas do pré-escolar e do 1.º ciclo e às 10.30 nas E.B. 2,3 e secundárias”.

Comentário meu
Há vozes autorizadas que se opõem a uma greve em Junho. É o caso de Paulo Guinote que, no seu Blog, afirma: "não destruam novamente o que demorou quase três anos a reconstruir. A tentação pelo abismo é grande. A espiral da metodologia ortodoxa da «luta» pode ser um óptima aliada do ME. Há três anos uma greve mal pensada em cima dos exames permitiu que o ME conquistasse boa parte da opinião pública e publicada e avançasse quase sem oposição até perto do final de 2007."
É uma posição estimável que, no entanto, esquece uma coisa: o ambiente político e o desgaste do Governo de Sócrates é agora muito grande, ao contrário do estado de graça de há 3 anos. Qual é, então, a alternativa? Parar a luta? Recuar? Aceitar um ECD e um modelo de avaliação de desempenho que transfiguram a profissão de professor e tornam o ambiente nas escolas quase infernal? Julgo que a luta tem de passar, em Abril e Maio, por grandes manifestações. Os professores têm de regressar a Lisboa numa dimensão semelhante à do dia 8 de Março. Depois, logo se vê! Mas todas as formas de luta, incluindo a greve, devem estar em cima a mesa.
http://ramiromarques.blogspot.com/2008/04/
o-que-fazer-daqui-em-diante-pode-greve.html

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