«A quem possa interessar: há para aí um blogue cujo autor garante ser eu próprio. Não é: como já aqui expliquei, não faço, não alimento e não leio blogues. Terão, certamente, muitas vantagens e utilidades, mas eu não me habituo a viver em territórios onde vivem o anonimato, a calúnia, a usurpação de autorias e a impunidade.»
Miguel Sousa Tavares no Expresso
Já tivemos muitas conquistas mas pela primeira vez, com o advento da Internet, um indivíduo pode dizer o que pensa a uma audiência potencialmente planetária, sem controlo político nem económico. De facto, é um poder considerável com a equivalente dose de responsabilidade. Claro que algo tão fora da habitual pirâmide de controlo incomoda o poder estabelecido e só ainda não vimos investidas mais concretas para controlar a Internet porque quem o pode fazer ainda receia ser acusado de censor. Falta ainda criar medo nas pessoas. A peça que a SIC passou há algum tempo, se bem que bacoca, é um exemplo disso: «a Internet é um antro de perversos», quase faltou escrever nos subtítulos do documentário.
Sobre os anónimos dos blogs, parece que isto é um tema quente. Ou talvez antes efervescente, já que volta e meia uma bolha parece rebentar em cachão. Quanto a mim, há dois aspectos a considerar. Por um lado, eu bem que poderia assinar com nome completo que não deixaria de ser um anónimo. Por outro, reconheço que a liberdade de escrever arrasta consigo a responsabilidade de se assumir o que se diz. Acontece que o poder estabelecido pode facilmente usar os meios ao seu dispor para moer a cabeça a alguém que diga o lhe passar pela mioleira, tenha ou não razão. É de notar que, contrariamente aos restantes cidadãos, os jornalistas têm uma corporação que os defende destas investidas vindas, frequentemente, de políticos despeitados. Havendo queixosos, cabe à polícia investigar e deixar a justiça correr o seu lento caminho. Comparando com a antiga versão das cartas difamatórias que dantes circulavam anonimamente, a Internet não permite anonimato a ninguém. Basta a polícia fazer o seu trabalho. Para mim, esta questão do anonimato nos blogs não passa do incómodo exteriorizado por quem tem dificuldade em aceitar a criatividade fora do circulo oficial da comunicação social.
http://fliscorno.blogspot.com/
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