sábado, agosto 16, 2008

Magalhães - o mais escandaloso golpe de propaganda do governo


Os noticiários abriram há dias, com pompa e circunstância, anunciando o lançamento do 'Primeiro computador portátil português o 'Magalhães'.
A RTP refere que é 'um projecto português produzido em Portugal.
A SIC refere que 'um produto desenvolvido por empresas nacionais e pela
Intel e que a 'concepção é portuguesa e foi desenvolvida no âmbito do Plano
Tecnológico.

Na realidade, só com muito boa vontade é que o que foi dito e escrito é
verdadeiro.
O projecto não teve origem em Portugal, já existe desde 2006 e é da responsabilidade da Intel.
Chama-se Classmate PC e é um laptop de baixo custo destinado ao terceiro mundo e já é vendido há muito tempo através da Amazon.

As notícias foram cuidadosamente feitas de forma a dar ideia que o
'Magalhães' é algo de completamente novo e com origem em Portugal.
Não é verdade.
Felizmente, existem alguns blogues atentos.
Na imprensa escrita salvou-se, que se tenha dado conta, a notícia do Portugal
Diário "Tirando o nome, o logótipo e a capa exterior, tudo o resto é idêntico ao produto que a Intel tem estado a vender em várias partes do mundo desde 2006."
Aliás, esta é já a segunda versão do produto.

Pelos vistos, o jornalista Filipe Caetano foi o único a fazer um trabalhinho de investigação em vez de reproduzir o comunicado de imprensa do Governo.

A ideia é destruir os esforços de Negroponte para o OLPC.
O criador do MIT Media Lab criou esta inovação, o portátil de 100 dólares...
A Intel foi um dos parcceiros até ver o seu concorrente AND ser escolhida
como fornecedor. Saiu do consórcio e criou o Classmate, que está a tentar
impor aos países em desenvolvimento.

Sócrates acaba de aliar-se, SEM CONCURSO, à Intel, para destruir o projecto
de Negroponte.
A JP Sá Couto, que ja fazia os Tsumanis, tem assim, SEM CONCURSO, todo o mercado nacional do primeiro ciclo.
Tudo se justifica em nome de um número de propaganda política terceiro - mundista.

Para os pivots (ex-jornalistas?) Rodrigues dos Santos ou José Alberto
Carvalho, o importante é debitar chavões propagandísticos em vez de fazer
perguntas.
Se não fosse a blogosfera - que o ministro Santos Silva ainda não controla -
esta propaganda não seria desmascarada.
Os jornalistas da imprensa tradicional têm vindo a revelar-se de uma ignorância, seguidismo e preguiça atroz.

Ou então preferem manter os seus postos de trabalho sem chatices...
http://joaotilly.weblog.com.pt/

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