Inauguro aqui uma nova secção do blogue a que dou o nome de "Vacuidades" que pode ser lida como uma junção de "vácuo" e de "vaidades". Começo com uma citação do artigo intitulado "Magalhães: Como funciona e para que serve?" (o título prometia) de Vieira de Carvalho no "Público" de ontem:
"A distribuição de computadores às crianças dos seis aos 11 anos, como instrumentos de escolaridade, constitui uma mudança de paradigma na aprendizagem. As potencialidades que oferece para o desenvolvimento cognitivo da população escolar são evidentes. Mas, para serem exploradas ao máximo, importa não subestimar um elemento de valor acrescentado (entre outros já considerados): software pensado de raiz. O que pressupõe a produção de conhecimento novo a partir do cruzamento de problemáticas distintas. As competências a mobilizar, no âmbito de projectos de investigação interdisciplinares, viriam, respectivamente: das áreas das Tecnologias da Informação, Engenharia de Sistemas ou Inteligência Artificial; das áreas da Psicologia, Pedagogia, ou da Educação em geral; e das áreas dos "conteúdos" (língua, cultura, artes ou expressões literárias e artísticas, Matemática, Ciências da Natureza, Saúde, Ambiente, etc.). "
Agora que, por obra e graça da propaganda do governo, vai haver computadores "Magalhães" para todas as crianças da primária, parece que não se vai resolver nenhum dos seus problemas de aprendizagem, mas sim criar novos problemas: é preciso "software criado de raiz". Mas para isso é preciso "conhecimento novo", o que exige o "cruzamento de problemáticas distintas" (se fossem iguais como é que se iriam cruzar?), o que, por sua vez, exige "mobilizar competências" (palavra que em "eduquês" deve, como no caso presente, para não significar nada, ser associada a "interdisciplinares" e a "conteúdos"). Pobres crianças: bem podem esperar!
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