terça-feira, novembro 25, 2008

4 anos de governo de Sócrates na economia

Uma das mensagens que Sócrates e todo o governo têm procurado fazer passar, é que o País estava a recuperar, mas que a crise financeira internacional, de que ele não tem culpa, veio estragar tudo. Isso não é verdade, pois o agravamento da situação é também anterior à crise.
No período de 2005-2008 com Sócrates, o crescimento económico em Portugal foi, em média, igual a menos de metade da média da União Europeia, pois em 4 anos Portugal cresceu apenas 4,8%, enquanto a UE27 cresceu 9,8%. Como consequência, o PIB por habitante SPA, ou seja, anulado da diferença de preços, cresceu em Portugal apenas 2.500 euros, enquanto subiu em média na UE27 mais de 3.300 euros. Portugal, durante este período, afastou-se em todos os anos, em termos económicos, ainda mais da União Europeia.
Mas, mesmo crescendo pouco, uma parcela cada vez maior da riqueza criada foi transferida para o estrangeiro, ficando no País para investimento e para melhorar as condições de vida dos portugueses cada vez menos. Em 2004, foram transferidos para o estrangeiro, sob a forma fundamentalmente de juros e de dividendos, 25.943 milhões de euros, ou seja, 18% da riqueza criada nesse ano em Portugal (PIB). Depois de três anos de governo de Sócrates, ou seja, em 2007, e antes da crise se declarar com força, foram já transferidos 33.398 milhões de euros, isto é, 20,5% do PIB. Dividindo este último valor pela população empregada nesse ano, obtém-se 6.460 euros por empregado, o que representa mais 27,5% do que em 2004.
Entre 2005 e 2008, o saldo negativo da Balança Corrente, ou seja, das nossas contas com o exterior, aumentou 33%. No conjunto dos 4 anos, o saldo negativo acumulado atingiu 64.081 milhões de euros. Em 2008, ele corresponderá a 11% do PIB, quando em 2005 era 9,5% do PIB. Esta variação negativa do saldo da Balança Corrente é também um indicador importante da crescente falta de competitividade da economia portuguesa. E, apesar do défice das contas externas do País ser superior em cerca de 5 vezes ao défice orçamental, este governo apenas se preocupa e fala do défice orçamental, ignorando o défice das contas externas, cujas consequências no desenvolvimento futuro do País serão certamente muito graves.
Em 2005, a dívida do País ao estrangeiro atingia 93.510 milhões de euros e, em 2007, já era de 146.592 milhões de euros, ou seja, mais 56,8%. No mesmo período, o PIB cresceu apenas 12,9%. Como consequência, a dívida externa aumentou, entre 2004 e 2007, de 64,8% do PIB para 90% do PIB. Em todos os anos de governo de Sócrates a dívida externa cresceu de uma forma rápida, e não apenas depois de se ter declarado a crise financeira internacional.
Entre 2004 e 2007, a dívida das famílias aumentou 30,5%, pois passou de 112.198 milhões de euros para 146.393 milhões de euros, enquanto as remunerações dos trabalhadores, sem incluir contribuições para a Segurança Social, subiram apenas 10,9%, ou seja, praticamente um terço da subida verificada no endividamento das famílias. Em 2007, a dívida média por família era já de 40.665 euros quando em 2004 era de 31.100 euros por família.
Em relação às empresas, o endividamento foi também rápido e crescente nos anos de governo de Sócrates. Entre 2004 e 2007, passou de 139.804 milhões de euros para 185.728 milhões de euros, ou seja, aumentou 32,8%, com o consequente disparar dos encargos financeiros.
É evidente que Portugal encontra-se, como consequência também da política que tem sido seguida, numa situação extremamente fragilizada para enfrentar a grave crise actual. A política errada seguida por este governo, que definiu como objectivo central da sua política a redução do défice orçamental, subordinando a isso tudo, está-se a revelar um erro estratégico que o País e os portugueses têm pago e vão continuar a pagar caro. Qualquer economista sabe que a chamada “consolidação orçamental” nunca deverá ser feita em período de crise. Em período de crise, como aquele que Portugal vive há mais de 4 anos, era fundamental uma forte intervenção do Estado para dinamizar a economia e defender o tecido social. Recentemente, o prémio Nobel da Economia e o novo presidente dos Estados Unidos vieram afirmar que, mais importante que a redução do défice, é dinamizar a economia. O governo de Sócrates nunca compreendeu isso, tendo sempre seguido o caminho contrário. Mesmo o OE2009 é dominado pela obsessão do défice, já que fixa um défice de 2,2%. O próprio ministro das Finanças, em declarações feitas na Assembleia da República, pôs em causa a possibilidade disso ser cumprido, mas Sócrates, desdizendo-o, veio logo afirmar que não via nada para aquele valor de défice não ser cumprido. Sócrates, com a ignorância e insensibilidade como trata os problemas económicos e também sociais, perante os dados do INE que revelavam um aumento do desemprego, declarou aos órgão de informação que era uma «boa notícia». Será que o 1º ministro pensa o mesmo em relação aos dados sobre a economia?
http://infoalternativa.org/spip.php?article313

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