O modelo burocrático está todo esburacado. Os remendos não permitem a sua reabilitação. Está em estado comatoso. Já só é defendido pelos acólitos da ministra da educação e meia dúzia de teóricos que há décadas não colocam os pés numa sala de aula e que, em grande parte, são os responsáveis pela confusão curricular existente nas escolas portuguesas. Os professores há muito que viraram as costas a teorias e propostas curriculares insensatas que só têm provocado o crescimento da burocracia nas escolas. A reabilitação da escola pública só pode fazer-se com o regresso à sensatez e ao realismo, centrando, de novo, o acto educativo na sala de aula e nos conteúdos, afastando de uma vez para sempre a retórica tonta das competências. O princípio que deve nortear o regresso ao bom senso na educação foi enunciado há 3 décadas por Mortimer Adler: "a melhor educação para os melhores é a melhor educação para todos!" (Mortimer Adler, Paideia Proposal, Nova Iorque, Mcmillan). Não podemos exigir menos do que isso.
Ramiro Marques, ProfAvaliação, 26-11-08
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