1. Para os banqueiros e afins não há prestação de contas. E quando a bolha rebenta, o Estado vem em socorro, lançando para cima dos banqueiros o dinheiro que devia ir para hospitais e escolas, com o argumento de que é preciso evitar o contágio. Contágio passou a ser o nome que eufemisticamente quer dizer proteger as carteiras dos ricos.
2. Para os professores, aqui del Rei que é necessário prestação de contas constante porque de tal depende o sucesso escolar dos alunos, o bem-estar das famílias e, quiçá, o futuro do país.
3. E os mesmos que libertam os banqueiros de prestarem contas e os salvam da bancarrota, esmagam os professores com triplas prestações de contas (às DREs, à IGE e aos pais) que fizeram deles pequenos burocratas subalternos.
4. É então que a prestação de contas foi imposta à opinião pública semianalfabeta como a magia capaz de superar os males sociais provocados por uma economia de casino, protegida por um Governo que dá cobertura à ganância.
5. A imposição da prestação de contas não se destina a melhorar a qualidade de ensino mas sim a submeter os professores aos políticos e, secundariamente, aos pais, eles próprios vítimas indefesas da economia de casino.
6. Com ela, os políticos fabricam o bode expiatório de que necessitam para ocultarem do público as verdadeiras razões da desgraça: desemprego juvenil nos 17%, salários de 500 euros mensais, precarização do trabalho e trabalho sem direitos.
7. A prestação de contas e a criação do bode expiatório são a face do fascismo em Portugal. Para que o fascismo se imponha são necessárias duas coisas: pôr fim à democracia nas escolas e amordaçar a imprensa.
Apesar das eleições de quatro em quatro anos, o fascismo existe. Está aí. Não ocupa ainda todos espaços da acção política mas vai a caminho disso. Se deixarmos, ocupará em breve.
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