Presidentes de Conselhos Executivos de todo o país vão estar reunidos amanhã, em Santarém, para "discutir" e "reflectir" sobre a avaliação dos professores e, eventualmente, tomar uma posição conjunta sobre as "pressões" do Governo para que o processo se concretize. "Os pressupostos que existiam e que levavam a que o modelo de avaliação de desempenho fosse rejeitado continuam a existir. Aceitar este modelo é aceitar a divisão da carreira e a existência de quotas para atribuição das classificações mais elevadas", disse a presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Infanta D. Maria, Coimbra.
No convite enviado por 20 conselhos executivos do distrito de Coimbra, os docentes justificam a necessidade do encontro "pela insistência do Ministério da Educação na implementação de um modelo de avaliação de desempenho a todo o custo e que não promove a melhoria das práticas pedagógicas e consequente aumento do serviço público de educação".
Por outro lado, os conselhos executivos vão ainda analisar a "pressão" que a tutela tem exercido sobre os professores, por exemplo, através de "contactos electrónicos personalizados" e, mais recentemente, com processos disciplinares sobre os docentes que não realizem a sua auto-avaliação e de demissões dos avaliadores que não façam avançar o processo.
Simplificação
"O ministério, com um novo regime simplificado, está a reconhecer a inconsistência deste modelo. Vamos analisar o que se passa nas escolas em matéria de avaliação de desempenho e pode ser que saia uma posição conjunta", acrescentou Maria do Rosário Gama.
A mesma opinião é partilhada pela professora Maria João, presidente do conselho executivo do Agrupamento de escolas Alexandre Herculano, em Santarém: "Admito que possa ser tomada uma posição conjunta. Qual? Depende do desenrolar do encontro". Segundo a docente, com o regime simplificado, muito do trabalho recaiu sobre os conselhos executivos. Por isso, é necessário perceber "por que é que alguns estão a complicar a situação" e por que é que outros "avançam com o processo em apenas três folhas".
Com o regime simplificado, que entrou em vigor na passada terça-feira, caiu o critério dos resultados escolares dos alunos e a avaliação da componente cientifico-pedagógica, excepto para os professores que queiram aceder às classificações de Muito Bom e Excelente. Assim, a observação de aulas só se realiza nestes casos. "Na minha opinião pessoal, se fosse professora pedia para ser avaliada nessa componente [cientifico-pedagógica]. Se não o fizer, estou a dar ao colega do lado mais oportunidades de alcançar essas classificações. Se uns começarem a pedir vão todos pedir", acrescentou Maria João.
Fonte: Público de 9/1/09
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1355579
Comentário
1. Os PCEs das escolas de Coimbra que organizaram este encontro merecem o nosso aplauso. Os que vão estar presentes também.
2. O que é que vai sair deste encontro? Pode ser que me engane, mas antecipo que não saia nada.
3. Podem os PCEs apresentar a demissão? Podem e devem, mas não vão. Porquê? Porque a maioria dos PCEs vão concorrer a directores e não querem incluir no "portefólio" e "curriculum vitae" um pedido de demissão. Porque a maioria dos PCEs não quer deixar as funções de gestão. Estão nos cargos por vocação ou/e interesse e têm legitimidade para querer continuar.
4. Então, o que vai acontecer? Os 100 PCEs vão almoçar, conviver, socializar e discutir temas que os preocupam tendo em vista encontrarem estratégias de sobrevivência comuns. E quais são esses temas? Questões de ordem prática: como sacudir a pressão que o decreto regulamentar 1-A/2009 atirou para cima dos PCEs? Solução: atirar essa pressão para cima dos avaliadores, sobretudos dos coordenadores de departamento. É a solução clássica. Estás nos manuais. Outra questão: o que fazer se as DREs exigirem o levantamento de inquéritos aos docentes que recusem a entrega dos objectivos individuais? E mais outra... O que é melhor para os PCEs e as escolas? Pedir a avaliação na componente científica e pedagógica? Ou a candidatura apenas ao Bom? Aos PCEs não interessa muito que os professores se candidatem apenas ao Bom, porque essa opção atira para cima dos PCEs todos os procedimentos de avaliação. Ao invés, a outra opção (avaliação na componente cientifica e pedagógica) permite aos PCEs atirarem os procedimentos de avaliação para cima dos coordenadores de departamento. A grande preocupação dos PCEs é, de facto, saberem como vão gerir os procedimentos de avaliação, na sequência das tarefas que lhes foram atribuídas pelo decreto regulamentar 1-A/2009. Não esperem que saia da reunião de hoje uma tomada de posição de rejeição da ADD. Nem sequer um pedido de demissão. Oiçam o que eu digo: não haverá um único pedido de demissão. Chegou a hora de apostar tudo, mesmo tudo, nas greves. A partir de agora é a doer (no bolso) e é só para os fortes. Se for possível, manter uma percentagem de adesão às greves de 60%, a vitória é possível. E o que é a vitoria? Não haja confusões: a vitória é dar um contributo importante para a derrota eleitoral de Sócrates de forma a que o futuro Governo ponha um ponto final na avaliação burocrática e na divisão da carreira em duas categorias. Ou seja: ganha quem for mais persistente. A luta dos professores é uma questão de resiliência.
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Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever! I write the verse and I find the rhyme I listen to the rhythm but the heartbeat`s mine. Por trás de uma grande fortuna está um grande crime-Honoré de Balzac. Este blog é a continuação de www.franciscotrindade.com que foi criado em 11/2000.35000 posts em 10 anos. Contacto: franciscotrindade4@gmail.com ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS
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