Os cerca de 100 presidentes de escolas que se vão reunir amanhã em Santarém estão a planear demitir-se em bloco como forma de protesto contra a avaliação dos professores. Ao que o DN apurou, os líderes dos conselhos executivos vão discutir esta hipótese por considerarem que as novas regras da avaliação, introduzidas com o simplex, lhes criou mais pressão e tornou intranquilo o ambiente nas escolas. Membro do Conselho de Escolas, órgão de aconselhamento do Ministério da Educação, Jorge Jerónimo vai participar no encontro de amanhã e reconhece que a demissão dos conselhos executivos vai ser discutida à mesa do almoço. “É um cenário possível. O que está em causa é o descontentamento face à pressão colocada pelo Ministério da Educação em cima dos órgãos de gestão das escolas”, informa o presidente da Secundária D. Duarte, em Coimbra. Ana Lourenço, presidente de outra escola que vai estar representada no encontro - a secundária José Falcão de Coimbra - considera viável esta posição de força: “A resposta às questões que colocámos ao ministério demorou tanto tempo e as pressões que estão a ser exercidas sobre os conselhos executivos são tão grandes que esta é uma hipótese a ser apreciada.” Jorge Jerónimo acrescenta que a demissão é mesmo “mais viável do que arranjar formas de bloquear a avaliação, que vão contra a lei”.
Caso avancem para a demissão em bloco, os presidentes de escolas sabem desde já que têm o apoio dos professores. “Os conselhos executivos foram eleitos pelos professores, que estarão ao lado dos presidentes se eles decidirem enveredar por esta justa forma de luta”, garante ao DN Ilídio Trindade, do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores. Ramiro Marques, autor do blogue Profavaliação, também admite que se fosse presidente de conselho executivo pedia a demissão: “Não seria refém. Uma atitude dessas teria um enorme impacto na opinião pública. Iria fragilizar o Governo e aumentar o ânimo dos professores.”
O presidente do Agrupamento de Escolas de Sequeira, na Guarda, José Grilo Santos, não vai amanhã ao encontro nacional em Santarém, mas concorda que o Estatuto da Carreira Docente e o modelo de avaliação estão a gerar dificuldades na gestão das escolas. “Se calhar os conselhos executivos podem não ter condições para governar”, alerta Grilo Santos, que defende que os presidentes se podem demitir “se as escolas se tornarem ingovernáveis”.
Fonte: DN de 9/1/09
Comentário
Amanhã, em Santarém, no restaurante Varanda, no Cnema, é a hora de os PCEs tomarem uma de duas decisões: 1) Recusarem proceder à avaliação burocrática de desempenho, invocando a confusão a instabilidade que o modelo criou nas escolas ou 2) apresentarem um pedido colectivo de demissão. Qualquer das decisões é corajosa e é bem-vinda. A degradação do ambiente das escolas assim o exige. O principal dever dos PCEs é para com os alunos. A aplicação do Simplex2 está a gerar confusão nas escolas e quem sai prejudicado da sua aplicação são os alunos. Aparentemente o ME não se preocupa com isso. A teimosia do Governo na aplicação do modelo burocrático está acima dos interesses dos alunos. É uma questão meramente política. Uma teimosia de Sócrates que está a sair cara ao país. Um olhar desapaixonado sobre a situação em que vivem as escolas exigiria uma resposta sensata do Governo: a suspensão efectiva deste modelo e a abertura de negociações para criar um outro que seja justo e sério. E que não prejudique a missão dos professores: ensinar.
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