Colegas, a suposta oposição que dentro do PS tem surgido contra Sócrates é indispensável à perpetuação do próprio partido e eles sabem disso. Imaginem o que seria o PS perder as eleições? Andaria anos a pairar no deserto, uma vez que aquilo que contestasse seria a arma de arremesso contra si mesmo. Ora bem, acima de qualquer suspeita estariam, então, os contra e seriam os "contra" que avançariam em tal cenário para calar contradição.
Sócrates quer antecipar as eleições para Junho. São 6 meses de "união do partido", acrescida da "união dos portugueses" face à crise.
Até Mário Soares que há meia dúzia de meses, defendia "o direito à indignação" vem, agora, dizer que os professores são uns casmurros mimados e que estão a pôr o seu umbigo em destaque, em vez de se irmanarem na "crise", o verdadeiro desígnio nacional, evocando a coragem de Maria de Lurdes Rodrigues. Coragem temos nós que trabalhamos e construímos há 10, 20, 30 anos, a Educação, que somos melhores que Maria de Lurdes Rodrigues e sua gente e levamos para casa mil e tal euros por mês. Coragem? Maria de Lurdes Rodrigues sairá com "ministra" no currículo, já tem a sua função assegurada na Europa, ou em qualquer outra organização internacional E nós? que nos acontecerá? O mesmo que aos 15 mil professores franceses que irão ser dispensados?
Mário Soares apoia, ao contrário dos propósitos que lhe conhecemos, o vilão, mas a campanha eleitoral está aí, é o seu partido que está em causa e há que se dar uma ajuda. Campanha eleitoral pura e dura, a tal de que falava Medina Carreira, que precisa de entendimento para ser vista, porque se esconde atrás. A propósito, viram como foi introduzido no programa da 1, canal do estado, a reportagem do ano, na segunda-feira, passada? Imagens de uma tourada cuja vida do forcado foi poupada, porque todos os colegas fizeram um cerco em sua volta, aguentando as marradas do boi pela traseira. Comentava o jornalista director de informação (e porque director de informação, deveria ter tido boa avaliação) "exemplo de união", "o ano que entrou será difícil, mas teremos de nos unir face às adversidades".
Esta é a ideia dominante, a ideia a vender e explorar até terem todos os portugueses rendidos, inertes, "para não aumentar a crise" e que português acreditando em tal, ousará fazer o contrário ou permitir que alguém o faça?
A história está cheia destes fenómenos. Lídia Jorge dava, ontem, no jornal Público, o exemplo da senhora de ferro, em Inglaterra, e a guerra das Malvinas, eu lembrei-me da luta das mulheres americanas pelo direito ao voto, que com a entrada da USA na 1ª guerra e tendo elas continuado a sua luta, todos se viraram elas, nada resolvendo e criando mais sofrimento, a guerra continuou e elas foram presas. Sócrates quer arranjar um desígnio nacional, para abafar qualquer contestação, vendendo a ideia que a contestação aumenta a crise.
A contestação é contra a crise.
Afirmo: o Povo português, os professores não podem baixar os braços. Baixar os braços, será a capitulação do povo português perante os causadores da crise e permitir que os mesmos a perpetuem, Sócrates e companheiros.
A contestação dos professores não passa por mesquinhas questões laborais, a contestação dos professores é um desígnio nacional, é a afirmação dos mais elementar dever cívico: é contestar uma escola-empresa/uma escola-crise instaurada por Maria de Lurdes Rodrigues. A contestação dos professores é a afirmação e a defesa dos valores fundadores da Sociedades portuguesa nascida há 35 anos, a Liberdade e a Democracia e o seu ideal uma Sociedade, uma Escola estruturada nos princípios e Direitos Universais do Homem.
Anabela Almeida
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