quarta-feira, fevereiro 04, 2009

As explicações que faltam

Os portugueses, segundo uma sondagem da Católica, não estão satisfeitos com as explicações de Sócrates sobre o caso Freeport. Claro que não estão. Ninguém pode estar.
Já ouvimos os argumentos de Sócrates e daquele secretário de Estado, mas ainda ninguém percebeu o motivo de tanta pressa. Se o processo é tão claro e tão óbvio, quem viesse depois podia assinar, aprovar e licenciar.
O frenesim naquele Ministério do Ambiente por causa do Freeport está por explicar. Será que não podia ter sido o Governo seguinte a assinar uma coisa tão “óbvia”? Deve, aliás, ter ficado muita coisa por assinar. Ou não? Será que não ficou nenhum projecto pendente?
Por outro lado, temos os quatro milhões em luvas que os novos “donos” do Freeport encontraram na contabilidade. Alguém os recebeu. Foi o ministro? O tio? O secretário de Estado? O primo? O presidente da Câmara? Os técnicos? Foram os próprios responsáveis da Freeport que se abotoaram? Foi o cardeal patriarca?
Onde estão esses quatro milhões? Vamos lá procurá-los.
Nota: Há poucos anos, num Governo do PSD, caíram dois ministros (do Ensino Superior e dos Negócios Estrangeiros) porque um deles admitiu o pedido da filha do outro para ingressar no ensino superior. É a célebre história da “cunha”.
Ora, independentemente das “luvas”, o processo de licenciamento do Freeport foi uma grande cunha. O ministro de então, hoje primeiro-ministro, recebeu todas as pessoas envolvidas no projecto e depois foi alterar a área protegida para o Conselho de Ministros.
Caem dois ministros por causa da “cunha” universitária, mas agora a “cunha” do Freeport é uma cabala contra o primeiro-ministro... Que país, este!

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