quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Tóxico, mas maravilhoso

Em tempos, quando em Portugal a banca pertencia ao sector público e os seus lucros eram públicos, a argumentação que sustentou a sua privatização foi a de que o sector privado, por ser mais eficiente, geraria maior valor acrescentado e emprestaria um novo dinamismo ao país. Passados alguns anos, hoje, verifica-se a natureza falaciosa de toda essa argumentação. A realidade , não exclusivamente portuguesa, é a de um sector financeiro em agonia, na ressaca de uma ineficiência nunca antes sonhada, mesclada aqui e ali por episódios de delinquência. E o remédio universal é o de uma redefinição do conceito de sector privado, restringindo-o à apropriação de lucros e dando tratamento de público aos prejuízos, socializando-os. Quais são, então, as vantagens de manter o sector financeiro nas mãos de privados? Nem mesmo a constatação da quase inutilidade das ajudas e injecções de capital no sector financeiro fazem saltar a pergunta. É o mercado. E o mercado é bom. Tóxico, mas maravilhoso.
• Quase um ano e meio depois do início da crise e apesar de já muito milhões terem sido injectados no sector financeiro, os bancos continuam com problemas, limitando o crédito concedido às empresas e famílias. Perante este cenário, a solução que voltou a estar em cima da mesa é a da criação de bancos públicos que comprem os activos tóxicos que estão a afectar o balanço dos bancos privados. Seriam aquilo a que se chama "bancos maus" - "bad banks" -, entidades públicas que assumiriam os riscos que os privados não querem ter e tentariam, nos próximos anos, recuperar o dinheiro investido, vendendo os activos. Outra alternativa é a atribuição pelo Estado de seguros aos bancos que os compensem por perdas que registem ao venderem os activos de alto risco.http://opaisdoburro.blogspot.com/2009/02/toxico-mas-maravilhoso.html

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