sexta-feira, maio 22, 2009

Guerra retorna a casa à Grã-Bretanha

A liberdade está a perder-se na Grã-Bretanha. A terra da Magna Carta é agora a terra das ordens secretas de silenciamento, dos julgamentos secretos e do aprisionamento. O governo irá em breve ter conhecimento de cada telefonema, de cada e-mail, de cada mensagem de texto. A polícia pode atirar deliberadamente a matar sobre um homem inocente, mentir e esperar sair-se com a sua. Comunidades inteiras temem agora o estado. O Ministro dos Negócios Estrangeiros encobre rotineiramente alegações de tortura; o secretário da justiça impede rotineiramente a libertação de minutas críticas do governo tomadas quando o Iraque foi invadido ilegalmente. A ladainha é superficial; há muito mais.

Na verdade, há tanto mais que a erosão das liberdades liberais é sintomática de um estado criminal evoluído. O paraíso para os oligarcas russos, juntamente com a corrupção dos sistemas fiscal e bancário e dos outrora admirados serviços públicos, tais como os Correios, é uma das faces da moeda; a outra é a carnificina invisível das guerras coloniais falhadas. Historicamente, o padrão é familiar. Tal como os crimes coloniais na Argélia, no Vietname e no Afeganistão explodiram de retorno para os seus perpetradores – a França, os Estados Unidos e a União Soviética –, também os efeitos cancerígenos do cinismo da Grã-Bretanha no Iraque e no Afeganistão retornaram para casa.

O exemplo mais óbvio são as atrocidades bombistas em Londres em 7 de Julho de 2005; ninguém no mandarinato dos serviços de informações britânicos duvida que estas foram um presente de Blair. “Terrorismo” descreve apenas alguns actos de indivíduos e grupos, e não a violência constante e industrial das grandes potências. A supressão desta verdade é deixada para os media credíveis. Em 27 de Fevereiro, o correspondente de Washington do Guardian, Ewen MacAskill, ao relatar a declaração do Presidente Obama de que a América estava finalmente a deixar o Iraque, como se fosse verdade, escreveu: «Para o Iraque, o número de mortos é desconhecido, na ordem das dezenas de milhares, vítimas da guerra, de uma revolta nacionalista, de uma luta interna sectária e dos jihadistas atraídos pela presença dos EUA». Assim, os invasores anglo-americanos são apenas uma «presença» e não directamente responsáveis pelo “desconhecido” número de mortes iraquianas. Uma tal contorção do intelecto é impressionante.

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