terça-feira, maio 19, 2009

Tombos da História


Segundo li no “Cravo de Abril” e depois fui ver em pormenor no “Público”, mais um daqueles acidentes sem explicação nem promotores, voltou a acontecer. Desta vez, foi a uma catrefada de documentos que, como bons documentos que eram, documentavam uma das fases de desenvolvimento, chamemos-lhe assim, da tão falada Cova da Beira. Falavam de uma época não muito distante e das relações deste empreendimento com os fundos comunitários, entre outras coisas.
Alguém, atropelando inexplicavelmente as leis nacionais, destruiu uma grande parte desses documentos. Desgraçadamente, exactamente aqueles que correspondiam à época que está sob investigação judicial.
Vários amigos de José Sócrates, e ele próprio, devem estar inconsoláveis, pois a sua ligação a este caso já muito dificilmente ficará na História, pelo menos com a dimensão e clareza que eles tanto mereciam.
Quanta da nossa História como país se terá afundado em “acidentes” como este, dificultando o nosso entendimento do que foi o nosso passado?
Quantos mais “acidentes” como este irão ainda acontecer, dificultando o nosso avanço para o futuro?
Tivemos uma Torre do Tombo, de que muito nos orgulhávamos, onde se guardava de tudo, desde Forais, decisões régias e outros documentos preciosos... até listas de compras de comerciantes que, embora parecessem sem importância, na sua época, hoje dizem-nos como se vivia, o que se consumia, qual era a qualidade de vida, o custo dos produtos, etc.
Que teriam para nos dizer estes documentos “acidentalmente” destruídos?
A Torre do Tombo, fazendo (erradamente) jus ao nome... caiu! Na falta de dimensão para “torres”, ficou-nos o estranho gosto pelos “tombos”. Este é apenas mais um!

http://samuel-cantigueiro.blogspot.com

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