segunda-feira, junho 22, 2009

Gripe A/H1N1: a ponta do icebergue

Poucos percalços industriais têm a capacidade de revelar os defeitos mais profundos de uma sociedade. A recente epidemia de febre porcina é um caso emblemático. Ainda que para muitos seja uma calamidade caída do céu, a realidade é que se trata de um desastre industrial, similar ao de Bhopal, na Índia (1984), ou ao de Chernobyl (1986).

Tal como esses eventos, o desastre do vírus de gripe porcina A/H1N1 mostra com extraordinária clareza as marcas de um sistema industrial grotesco, de um governo ineficiente, e seguramente corrupto, além do colapso do sistema de saúde pública.

O desastre das fábricas granjeiras Carroll (GCM) diz muito sobre a nossa civilização. O essencial é que não se trata de uma calamidade que nos cai do céu, ou de um evento altamente improvável. Nada disso. Tal como a crise económica, o desastre da epidemia de A/H1N1 é o resultado predizível da acção humana e de falhas de políticas reguladoras que podem e devem ser mudadas. É a consequência de uma forma de produzir carne que é repugnante na sua imundície. O tratamento desapiedado dos animais diz muito da falta de respeito que o ser humano pode ter consigo mesmo.

Nesta indústria, o processo de produção inicia-se com o emprego massivo de métodos de inseminação artificial. Isso empobrece a variabilidade genética dos animais e, para os manter vivos em confinamento, são necessárias quantidades massivas de antibióticos e vitaminas. Em algumas instalações porcícolas são administradas fortes doses de estimulantes que desencadeiam um apetite voraz para que os animais ganhem peso rapidamente. Isto é complementado com doses massivas de hormonas para crescimento rápido
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