sexta-feira, junho 19, 2009

O que Obama não disse no seu discurso do Cairo diz muito sobre a sua política para o Médio Oriente

Uma manchete da CNN, informando sobre os planos de Obama para o seu discurso de 4 de Junho no Cairo, Egipto, reza assim: «Obama procura chegar à alma do mundo muçulmano». Talvez isso capture a sua intenção, mas mais significativo é o conteúdo escondido, ou mais precisamente, omitido pela pose retórica.

Limitando-se apenas a Israel-Palestina – não houve nada de substantivo sobre qualquer outra coisa –, Obama apelou a árabes e israelitas para não «apontarem o dedo» uns aos outros e para não «verem este conflito apenas de um lado ou do outro».

Há, contudo, um terceiro lado, o dos Estados Unidos, que têm desempenhado um papel decisivo na manutenção do actual conflito. Obama não deu indicação de que o seu papel deva mudar ou mesmo ser considerado.

Aqueles familiarizados com a história concluirão racionalmente, pois, que Obama continuará na senda do rejeccionismo estadunidense unilateral.

Obama louvou uma vez mais a Iniciativa Árabe de Paz, dizendo apenas que os árabes deveriam encará-la como «um importante começo, mas não como o fim das suas responsabilidades». E como deveria a administração Obama encará-la?

Obama e os seus conselheiros estão seguramente conscientes de que a iniciativa reitera o há muito estabelecido consenso internacional apelando a um acordo de dois estados com base na fronteira internacional (anterior a Junho de 1967), talvez com «pequenas e recíprocas modificações», para usar a expressão habitualmente utilizada pelos EUA antes de se afastar radicalmente da opinião mundial na década de 1970. Foi quando os EUA vetaram uma resolução do Conselho de Segurança da ONU apoiada pelos “Estados de confrontação” árabes (Egipto, Irão, Síria), e tacitamente pela OLP, com o mesmo conteúdo essencial da Iniciativa Árabe de Paz, excepto por a última ir mais além ao apelas aos estados árabes para normalizarem as suas relações com Israel no contexto deste acordo político.

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