Quantas vezes já ouvimos estas palavras, ou até demos por nós a dizê-las: “toda a gente sabe…”. Se fizermos um esforço de distanciamento e rigor, podemos concluir, ou pelo menos admitir, que o enunciado que elas antecedem talvez não seja assim tão universalmente sabido, nem sequer reconhecido como verdadeiro ou indiscutível. Mas, entretanto, o efeito foi conseguido: as palavras ficam lá, como que a marcar a importância e a autoridade – difusa, mas pesada – do que vai ser exposto, como que a acelerar o pensamento de quem ouve, ou lê, e desprevenidamente pudesse ter sido tentado a parar, a reflectir criticamente sobre o que lhe é apresentado. Ao afastar dúvidas e suspensões de juízos, fecha-se a reflexão e o debate antes mesmo de eles terem começado. Nas mãos de um indivíduo, trata-se de recorrer a um dispositivo retórico para legitimar um argumento ou opinião, com vista a persuadir. Nas nossas sociedades, traduz uma ampla generalização de concepções e preconcepções que constituem a própria tessitura da complexa construção política, socioeconómica e cultural que é a globalização neoliberal. E chamamos-lhe pensamento único.
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