Parece que José Sócrates anda à procura de redenção. Está mais humilde, reconheceu que o seu governo terá cometido erros, quer fazer as pazes com o poeta oficial do PS, e quase que reconhecia que não pretende uma maioria absoluta, não fosse afinal tudo isso um mal-entendido. Depois da arrogância, da prepotência, dos vários vícios pessoais e políticos, José Sócrates pretende, tal como um libertino no leito da morte, redimir-se dos seus pecados e salvar a sua alma. Mas tal como ao libertino, ninguém o leva a sério. Ambos vêem no perdão uma oportunidade, e não um acto de fé. E por isso ambos pretendem que esse perdão seja público, declarado e assumido, em vez de interior. Mais contido, o libertino escolhe a confissão. Menos contido, José Sócrates prefere a televisão nacional, e por isso estará hoje na SIC para uma entrevista. Poderemos, assim, avaliar até que ponto estará este ‘lobo em pele de cordeiro’ disposto a ir para nos convencer do seu arrependimento. Aposto que muito longe. A ameaça do inferno impõe ao pecador a apologia da vida recta.
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