PGR fala do estado da Justiça
Numa entrevista a um semanário de referência do sistema, com título especulativo de primeira página, o procurador-geral Pinto Monteiro reconhece que a Justiça não está bem mas diz que “não há ninguém inocente”. Afirma que “o legislador, os juízes, os magistrados, os solicitadores ou o cidadão”, todos, “contribuem para que a Justiça não funcione bem”. Como se as responsabilidades e o poder de um magistrado ou de um simples cidadão fossem iguais!
Por outro lado, o procurador-geral reconhece que “há crimes que se investigam bem, como os homicídios ou os roubos, mas há mais dificuldade com os crimes económicos”. Pudera! Há mais meios, vontade condenatória e discricionariedade na resolução dos problemas que dizem respeito ao povo, enquanto no que se refere em particular à sua gente (à burguesia dominante) há menos meios de combate ao crime e a coisa aí fia mais fino.
Ao longo das três páginas da entrevista, e apesar de serem referidos alguns dos mais conhecidos casos da actualidade, em vão se procura algum facto ou argumento novos. Face às banalidades ali contidas, achamos estar perante mais uma tentativa de desvalorizar casos quentes da actualidade e de disfarce da profunda crise em que se vem debatendo a Justiça portuguesa. Outra coisa não seria de esperar da entrevista de um Procurador que num dia diz que não há suspeitos no processo X e que no dia seguinte já reconhece haver; que num dia diz não haver pressões sobre magistrados e que logo a seguir vem a admiti-las.
Claro, muito menos ainda seria de esperar que de um procurador ou de um semanário do sistema saísse algo que pudesse pôr em causa a ordem jurídica burguesa, esse elemento essencial de dominação dos capitalistas sobre as classes trabalhadoras.
http://www.jornalmudardevida.net/?p=1617
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