Os factos são conhecidos: uma mulher foi impedida de dar sangue no Hospital de Santo António, no Porto, por se ter declarado homossexual. Denunciado o caso pelo Bloco de Esquerda, o gabinete da ministra da Saúde vem dizer que os homossexuais masculinos estão impedidos de dar sangue em Portugal por constituírem um grupo de risco, o mesmo não se verificando com as mulheres lésbicas.
Primeiro problema: apesar do que disse o ministério da saúde, foi uma mulher que foi proibida de dar sangue. O mínimo que se pode exigir é a abertura de um inquérito ao serviço do hospital que impediu esta dádiva de sangue, apurar os responsáveis e não deixar sem punição a discriminação de que foram autores.
Segundo problema: não há grupos de risco, há comportamentos de risco que tanto podem verificar-se em homossexuais como em heterossexuais ou em bissexuais. Não há qualquer motivo para excluir liminarmente todo e qualquer homossexual apenas porque é homossexual. Todos os homens e mulheres, seja qual for a sua orientação sexual, devem ser sujeitos às mesmas regras e exames para avaliar a qualidade do sangue que pretendem doar.
Há, certamente, muitos heterossexuais com práticas e hábitos sexuais de muito maior risco que muitos homossexuais. Como também há, seguramente, muitos homossexuais que praticam sexo de risco. Ou seja, não é a orientação sexual que determina se há ou não risco, se há ou não contaminação do sangue. Cada caso é um caso, o risco deve ser avaliado caso a caso, pessoa a pessoa. O contrário, é discriminação.
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