sexta-feira, setembro 04, 2009

O NEGRO E O VERMELHO

De la justice dans la révolution et dans I'Église, vol. I, 1858

A metafísica do ideal nada ensinou a Fichte, a Schelling, a Hegel: quando estes homens, de que a filosofia muito justamente se honra, imaginavam deduzir o a priori, mais não faziam, sem o saberem, do que sintetizar a experiência (p. 198).
A fórmula hegeliana só é uma tríade pelo bel-prazer ou pelo erro do mestre, que conta três termos onde verdadeiramente só existem dois, e que não viu que a antinomia não se resolve, em absoluto, mas que indica quer uma oscilação, quer um antagonismo, os únicos susceptíveis de equilíbrio. Deste ponto de vista, todo o sistema de Hegel deveria ser refeito (p. 211, nota).
Qual é agora esta ideia mestra a um tempo objectiva e subjectiva, real e formal de natureza e de humanidade, de especulação e de sentimento, de lógica e de arte, de política e de economia, razão prática e razão pura que rege, ao mesmo tempo, o mundo da criação e o mundo da filosofia, e sobre a qual são construidos um e outro enfim, ideia que, dualista pela sua fórmula, exclui, no entanto, qualquer anterioridade e qualquer superioridade e abarca, na sua síntese, o real e o ideal? É a ideia,de Direito, a Justiça (p. 215).
A Justiça toma assim nomes diferentes, conforme as faculdades a que se dirige. Na ordem da consciência, a mais elevalda de todas, ela é a Justiça propriamente dita, regra dos nossos direitos e deveres; na ordem da inteligência, lógica, matemática, etc., é igualdade ou equação; na esfera da imaginação, torna-se ideal; na natureza, é o equilíbrio. A cada uma destas categorias de ideias ou de factos, a Justiça impõe-se sob um nome próprio e como condição sine qua non (p. 217).
A separação entre a ciência e a consciência, como entre a lógica e o direito, não passa de uma abstracção elementar. Na nossa alma as coisas não sucedem assim: a certeza do saber é, para nós, algo de mais íntimo, afectivo e vital, do que os lógicos e psicólogos revelam (p. 221).
Foi ela [uma geração ávilda, grosseira, sem dignidade] que inaugurou, sob a capa de uma restauração imperial, o reino da mediocridade impudente, da propaganda oficial, da vigarice autorizada. É ela que desonra a França e a envenena (p. 236).
O governo imperial é um governo sem princípios...; quanto aos seus presumíveis sucessos, deixemos que transcorra algum tempo e, a manterem-se as coisas tal qual estão, só veremos calamidades (p. 240).
Não dogmatizo; observo, descrevo, comparo. Não vou, de modo algum, procurar as fórmulas do direito nas pesquisas fantásticas de uma psicologia ilusória; peço-as às manifestações positivas da humanidade (p. 281). Neste momento, a Revolução define-se e portanto, vive. O resto já não pensa. O ser que vive e que pensa será suprimido plo cadáver? (p. 284).

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