De la justice dans la révoiution et dans l'Église, vol. II, 1858
O materialismo, que se poderia definir como misticismo da matéria,... (p. 20).
O Decálogo tinha dito em duas palavras: Não matarás, não roubarás. Compete à teologia cristã indagar se a servidão, mesmo disfarçado sob o nome de assalariado, não era uma maneira indirecta de matar o corpo e a alma; se o assalariado não implicava a espoliação do trabalhador, usurpação em seu prejuízo por parte do capitalismo-empresário-proprietário (p. 54).
Se os patrões se põem de acordo, se os empresários se aliam, se as companhias se fundem, o ministério público não pode fazer nada, tanto menos, quanto o poder empurra para a centralização dos interesses capitalistas e os encoraja. Mas se os operários, que têm o sentimento do direito que a Revoluçao lhes legou, protestam e entram em greve, único meio de que dispõem para fazer aceitar as suas reclamações, são punidos, deportados sem piedade, votados às febres de Cayenne e de Lambessa (p. 77) (1).
O que eu peço para a propriedade..., é que se faça o balanço. ...A Justiça, com efeito, aplicada à economia, não é outra coisa senão um balanço perpétuo, ou, para me exprimir,de uma maneira ainda mais exacta, a Justiça, no que concerne à repartição dos bens, não é mais do que a obrigação imposta a qualquer cidadão e a qualquer Estado, nas suas relações de interesse, de se conformar à lei de equilibrio que se manifesta por toda a economia, e cuja violação, acidental ou voluntária, é o princípio da miséria.
Os economistas pretendem que não cabe à razão humana intervir na determinação deste equilíbrio, que é necessário deixar o fiel da balalnça oscilar à sua vontade, e segui-lo passo a passo nas nossas operações. Mantenho que essa é uma ideia absurda (p. 92).
A antinomia não se resolve; é nisto que reside o vício fundamental de toda a filosofia hegeliana. Os dois termos que compõem a antinomia equilibram-se, quer entre si, quer entre outros termos antinómicos, o que conduz ao resultado procurado. Um equilíbrio não é em absoluto uma síntese tal como Hegel a entendia (p. 155, nota).
Para só falar aqui de colectividades humanas, suponhamos que alguns indivíduos, no número que se quiser, de uma maneira e com uma qualquer finalidade, juntam as suas forças: a resultante destas forças aglomeradas, que importa não confundir com a sua soma, constitui a força ou poder do grupo.
Uma oficina formada por operários cujos trabalhos convergem para um mesmo fim, que é o de obter este ou aquele produto, possui enquanto oficina ou colectividade, um poder que lhe é próprio: a prova está em que o produto desses indivíduos, assim agrupados, é muito superior ao que haveria sido a soma dos seus produtos particulares, se tivessem trabalhado separadamente.
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(1) Cf. mais atrás, pp. 59 e 65.
Do mesmo modo, a tripulação de um navio, uma socidade em comandita, uma academia, uma orquestra, um exército, etc., todas estas colectividades mais ou menos habilmente organizadas, contêm um poder, poder sintético e, consequentemente, específico do grupo, superior em qualidade e em energia à soma das forças elementares que a compõem (pp. 257-258).
Assim, sendo a força colectiva um facto tão objectivo quanto a força individual, e sendo a primeira perfeitamente distinta da segunda, os seres colectivos são tão reais como os indivíduos (p. 258).
A relação que une os grupos activos que compõem a cidade e que diferem entre si de organização, bem como de ideia e de objecto, já não é tanto uma relação de cooperação como uma relação de comutação. A força social terá, portanto, como carácter, ser essencialmente comutativa, mas não será menos real por isso (p. 259).
Pelo agrupamento das forças individuais e pela relação entre os grupos, toda a nação forma um corpo: é um ser real, de uma ordem superior, cujo movimento arrasta toda a existência, toda a fortuna. O indivíduo está imerso na sociedade; ele depende deste alto poder, de que só se separaria para cair no nada (p. 267).
Suponhamos a Revolução feita, a paz assegurada no exterior pela federação dos povos, e a estabilidade estará garantida no interior pelo equilíbrio entre os valores e os serviços, pela organização do trabalho e pela reintegração do povo na propriedade das suas forças colectivas (pp. 282-283).
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