quinta-feira, setembro 17, 2009

O NEGRO E O VERMELHO

A CAMINHO DE UMA DEMOCRACIA INDUSTRIAL

Uma revolução verdadeiramente orgânica, produto da vida universal, ainda que tenha os seus mensageiros e os seus executores, não é verdadeiramente obra de ninguém. (Capac. Polit., liv. II, Cap. V.)
É às próprias sociedades que cabe executá-la; que esperem a sua salvação, mas das suas próprias mãos. A verdade nunca faltou aos homens; mas, muitas vezes, faltam a boa fé e a coragem para reconhecê-la e segui-la.
Todos os elementos da ordem e da felicidade, existem: só se trata de conhecer a sua síntese, o método de aplicação e de desenvolvimento. Como é que a humanidade ainda o não conseguiu? Cabe à história ensinar-no-lo. Como qualquer outro, eu poderia dizer alguma coisa acerca disso; mas, na minha opinião, a filosofia da história só existirá quando o problema social for resolvido. (Célébr. du Dimanche, Cap. V, 1839.)
Desde 1789 que a França se tornou uma democracia. Todos são iguais, perante a lei civil, politica...
Mas não deixa também de ser menos claro que esta grande equação política não nos dá a chave do enigma; qual a relação entre o direito de sufrágio, por exemplo, e a fixação do salário justo? Entre a igualdade perante a lei e o equilíbrio dos serviços e dos produtos?
Qualquer profissão deve produzir pelo menos o suficiente para permitir a vida de quem a exerce... a isto chamar-se-á justiça. Eis pois, quanto ao salário, e, consequentemente, quanto ao trabalho, há um primeiro limite, um mínimo, para aquem do qual não podemos recuar...
A revolução, democratizando-nos, lançou-nos no caminho da democracia industrial. Foi um primeiro e enorme passo que ela nos obrigou a dar. Deu-nos ainda uma segunda ideia, a de uma determinação dos trabalhos e dos salários. Outrora, esta ideia teria sido um escândalo; hoje, tem apenas lógica e legitimidade; nós prosseguimo-la...
A avaliação dos trabalhos, a medida dos valores, renovada sem cessar, é o problema fundamental da sociedade, problema que a vontade social e a força de colectividade podem resolver sós...
Agora cabe à democracia operária tomar em mãos a questão. Que ela se pronuncie, e, sob pressão da sua opinião, será bem preciso que o Estado, órgão da sociedade, aja. Se a demarcaria operária - satisfeita por provocar a agitação nas suas oficinas, por atormentar o burguês e por chamar a atenção com eleições inúteis - fica indiferente aos princípios da economia política, que são os da revolução, é preciso que o saiba como está a contradizer os seus deveres e ficará desonrada perante a posteridade... (Cap. Polit. das Clas. Ouvr., liv. II, Cap. VIII.)

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