A IRRESISTIVEL EVOLUÇÃO
O século XIX está destinado a substituir, no governo da humanidade, os princípios teológico e político pelo princípio económico e social.
Uma democracia impaciente... exige a extensão dos direitos políticos. Reprimam-na, e teremos uma revolução; concordem com a sua exigência: será ainda uma revolução.
Mas, doravante, nenhuma revolução será fecunda se não for coroada com a reanimação da instrução pública.
Quereis eternizar o pauperismo, o crime, a guerra, as convulsões, o despotismo à face da terra? Eternizai o proletariado. A organização do ensino é, ao mesmo tempo, a condição para a igualdade e a sanção para o progresso. (Créat. de l’O., Cap. V.)
Esta questão das fortunas médias, que, no estado actual da civilização, é preciso considerar como o problema do século, e que contém o futuro, não só da França, mas da humanidade; esta questão é irresolúvel por qualquer espécie de constituição da autoridade. Para a resolver, é preciso sair da esfera das ideias antigas, subir, com a ajuda de uma nova ciência, acima dos dogmas religiosas, dos artifícios constitucionais, das práticas usurários do capital, das rotinas aleatórias da troca. É preciso criar, com todas as suas peças, a economia social... (Conf. dun Rév., post. scriptum.)
As causas da miséria resumem-se no seguinte: 1) os interesses do capital; 2) a intolerância e os privilégios; 3) o lucro da empresa; 4) o parasitismo dos inúteis e dos improdutivos; 5) as perturbações que resultam da insuficiência estatística e da incapacidade do trabalhador - causa dupla, que acarreta a incerteza da produção e destrói a proporcionalidade dos valores.
A reforma consiste em acabar com a exploração capitalista, solidarizar a propriedade, suprimir a especulação... criar a estatística, e aumentar a capacidade industrial dos trabalhadores. (Carnets., 6 de Março de 1847.)
Para aumentar a riqueza duma dada sociedade, permanecendo inalterável o montante da propriedade, são precisas três coisas: 1) criar às massas trabalhadoras novas necessidades; 2) conduzi-las para uma organização cada vez mais cuidada do trabalho e da indústria, do tempo e das energias sobrantes; 3) acabar com o parasitismo. Estas três condições resumem-se nesta fórmula: distribuição, cada vez mais igual, do saber, dos serviços e dos produtos. É a lei do equilíbrio, a maior, e poder-se-ia dizer que ela é o enigma da economia política. (La G. et la P.., liv. IV, Cap. II.)
Compreenderam-me, e fico feliz por isso...
Sim, senhor, procuro, através de uma longa e profunda critica, as leis gerais da sociedade e do progresso; as minhas negações só têm valor segundo este ponto de vista. O erro que cometeram, a meu respeito, foi o de recusarem, em si, criticas inatacáveis, e que não eram apresentadas, nem como dogma, nem como solução, nem como prática.
A prática social, quanto a mim, compõe-se de todas as negações, de todas as afirmações; rejeitar uma delas, é menosprezar ao mesmo tempo a ciência e o movimento... (Lettre à Michelet, 2 de Maio de 1851.)
O mundo moral, como o mundo físico, assenta sobre uma pluralidade de elementos irredutiveis e antagónicos; é da contradição entre estes elementos que resultam a vida e o movimento no Universo. (Th. De la Prop., Concl.)
O problema consiste em encontrar, não a sua fusão, que seria a morte, mas o seu equilíbrio, equilíbrio incesantemente instável, variável como o próprio desenvolvimento das sociedades. (Th. de la Prop., Cap. I.)
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