segunda-feira, dezembro 07, 2009

O NEGRO E O VERMELHO

Sua incidência científica: a relatividade

O movimento, ou como dizem os teólogos, a criação, o estado natural do universo. O movimento é a forma de qualquer vida... O espaço e o tempo são duas maneiras de conceber o intervalo que separa os dois supostos limites do movimento, ponto de partida e ponto de chegada, origem e objectivo, começo e fim. Considerados em si próprios, o tempo e o espaço, noções indiferentemente objectivas ou subjectivas, mas essencialmente analíticas, não são contudo senão uma relação transformada... (Ph. du Progrès, l.ª carta, cap. II.)
Os conceitos de espaço e de tempo, correlativos entre si... são dados pela principal condição de toda a série: a divisão... O espaço e o tempo não são mais do que aspectos particulares desta força, de diferenciação infinita... É preciso distinguir a diversidade enquanto atributo... e a diversidade enquanto condição absoluta de toda a fenomenalidade. A mesma objectividade que se encontra nos conceitos de espaço e de tempo pertence também ao conceito que nos revela, particularmente, a divisibilidade da matéria: ele próprio não é nem mais nem menos que a inevitável síntese do espaço e do tempo. (Création de l’Ordre, cap. III, 1843.)

G. Sua tradução filosófíca:
a relação ideo-realista
inter-relação do subjectivo e do objectivo

A definição da filosofia supõe estes dois termos:
1.º Alguém que investiga, observa, analiza, sintetiza, e a que se chama o sujeito ou eu;
2.º Alguma coisa que é observada, analisada, de que se procura a razão e a que se chama o objecto ou não-eu.
O primeiro, o observador, sujeito, eu, ou espírito, é activo; o segundo, a coisa observada, objecto, não-eu, ou fenômeno, é passivo. Não nos assustemos com as palavras; isto quer dizer que um é o artífice da ideie e que o outro fornece a matéria para ela. Não há estátua sem estatuário... mas não há estátua... sem mármore. Ora passa-se o mesmo com as ideias. Suprimam um ou outro destes dois princípios, o sujeito e o objecto, e não haverá mais ideia que se forme, nem mais saber possível... Toda a produção artística e industrial se baseia nisto. Tirem o operário, ficam eternamente com a vossa matéria-prima. Tirem ao operário os seus materiais... e digam-lhe que produza unicamente pelo seu pensamento, ele pensará que estão a troçar dele... (Justice, Philos. Popul.)
Aquele que alguma vez tiver compreendido a teoria da formação das ideias e se tiver apercebido destes três pontos capitais:
1.º Intervenção de dois agentes, o sujeito e o objecto;
2.º A diferença do seu papel, resultado da diferença das suas naturezas;
3.º A distinção das ideias em duas espécies, ideias sensíveis, dadas imediatamente pelos objectos e ideias extra-sensíveis ou metafísicas, resultado da acção do espírito solicitado pela contemplação do exterior - esse, dizemos, pode gabar-se de ter transposto o obstáculo mais difícil da filosofia. Libertou-se do fatalismo e da superstição. Sabe que todas as suas ideias são necessariamente posteriores à experiência das coisas. (Justice, Philos. Popul.)
A ideia surge-nos organicamente... . em concorrência e ex-aequo de duas origens: uma, subjectiva, que é o eu, sujeito ou espírito; a outra objectiva, o não-eu ou as coisas... dupla origem, a filosofia apoia-se em relações. (Idem.)
A relação, eis, em última análise, a que se reduz toda a fenomenalidade, toda a realidade, toda a força, toda a existência. Do mesmo modo que a ideia de ser envolve a de força e de relação, também a de relação supõe invencivelmente a força e a substância, a transformação e a existência. De modo que por toda a parte onde o espírito apreenda uma relação, e a experiência não descubra nenhuma outra, devemos concluir desta relação a presença duma força, e consequentemente uma realidade. (Justice L’Êtat.)

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