terça-feira, dezembro 15, 2009

O NEGRO E O VERMELHO

O balanço-equilibração

a) Primeira etapa: o balanço: «síntese formal»

A síntese não destrói realmente, mas formalmente, a tese e a antítese... (Créat. de l’O., cap. III.)
Afirmação-Negação, isto é, balanço - todas as ideias sobre relações procedem deste equilíbrio. (Carnets, 10 de Março de 1847.)
Kant, ao ter dividido, os conceitos em quatro famílias, cada uma composta por três categorias, mostrou que estas categorias se criavam, por assim dizer, umas às outras, sendo a segunda constantemente a antítese ou a oposta da primeira, e a terceira procedendo das duas outras, por uma espécie de composição...
Depois de Kant, a dialéctica foi enriquecido com uma figura anteriomente pouco conhecida, e à qual o balanço parece ter servido de modelo;... ela consiste no facto de que, sendo dados dois termos antitéticos, resulta da sua união um 3.º termo, diferente os outros dois, e convertendo-os por uma espécie de balanço ou equação...
Hegel generalizou esta engenhosa ideia... É uma vasta classificação da natureza e das ideias em três grandes séries...
O sistema de Hegel valeu ao seu autor graves censuras; lamentou-se de que a sua série não era, muitas vezes, senão um artifício de linguagem, em desacordo com os factos; que a oposição entre o 1.º e o 2.º termo não era sempre suficientemente acentuada e que o 3.º não os sintetizava...
Hegel, numa palavra, tinha-se aprisionado numa série particular, e pretendia, com ela, explicar a natureza, tão variada nas suas séries como nos seus elementos... (Créat. de l’O., cap. III, 1843.)

b) Segunda etapa: o balanceamento:
a não resolução da antinomia

Os termos opostos não fazem nunca senão balancear-se um ao outro; o equilíbrio entre eles não nasce pela intervenção dum terceiro termo mas pela sua acção reciproca. (Pornocratie, cap. V.)
Apercebi-me de que a dialéctica, de Hegel... era falível num ponto e servia mais para confundir as ideias do que para as esclarecer... A antinomia é uma lei da natureza e da inteligência, um fenômeno do entendimento; como todas as noções que afecta, ela não se transforma; permanece eternamente aquilo que é, causa primeira de todo o movimento, princípio de toda a vida e evolução, por contradição entre os seus termos; unicamente pode ser balanceada, seja pelo equilíbrio dos contrários, seja pela sua oposição a outras antinomias... (Th. de la Propr., cap. VII.)
Os termos antinómicos não se transformam, tal como os polos opostos duma pilha eléctrica não se destroem... eles são a causa geradora do movimento da vida, do progresso ... O problema consiste em encontrar não a sua fusão que seria a morte mas o seu equilíbrio, equilíbrio incessantemente instável, variável, conforme o próprio desenvolvimento das sociedades. (Th. de la Propr., Cap. I.)
Resulta dai que o instrumento de crítica que procuramos é necessariamente dualista ou binário: ele poderá não ser triádico, pois conteria em si elementos mais simples do que ele, ideias que não explicaria, o que era tomar a série em vez do seu elemento; além disso é fácil convencermo-nos pela análise, de que toda a trlade, trindade ou ternário não é senão a síntese duma dualidade, obtida pela identificação ou confusão de dois dos seus termos... A fórmula hegeliana só é uma triade pelo bel-prazer ou erro do mestre, que conta três termos onde verdadeiramente só existem dois, e que não viu que a antinomia não se transforma, mas que indica uma oscilação ou antagonismo, unicamente susceptível de equilíbrio. Sob este único ponto de vista, todo o sistema de Hegel teria de ser reconstruido. (Justice, Phílos. Popul.)
A antinomia não se transforma; aqui reside o defeito fundamental de toda a filosofia hegeliana. Os dois termos de que ela se compõe balanceiam-se, quer entre eles, quer com outros termos antinómicos: o que conduz ao resultado procurado. Um balanço não é uma síntese. (Justice, Les Biens.)

Sem comentários: