A LIBERDADE, FORÇA DE COMPOSIÇÃO
A antinomia e a força da colectividade são os dois princípios sobre os quais assenta toda a teoria da liberdade...
1. - O JOGO DAS FORÇAS: POSSIBILIDADE DA LIBERDADE
O que torna a criação possível é... a mesma coisa que torna a liberdade possível, a oposição das forças...
Do antagonismo que observamos entre os seres, somos levados a concluir da independência das substâncias, das causas, das vontades, dos juízos; de tal modo que, pondo de parte o universo, de que nada sabemos como universo, podemos pelo menos afirmar que cada uma das existências de que ele se compõe é governada por duas leis em oposição diametral: uma que é a espontaneidade, força de absorção, de invasão, de negação; outra que é a necessidade, influência recebida de fora, à qual é preciso que o ser sucumba se a ela não se adaptar.
A espontaneidade - do mais baixo: grau nos seres inorgânicos, mais elevada nas plantas e nos animais - atinge, sob o nome de liberdade, a sua plenitude no homem, que tende a libertar-se sozinho de todo o fatalismo, tanto objectivo como subjectivo, e que efectivamente se liberta dele...
A liberdade está em emergência, isto é, no ataque; a necessidade em defesa, isto é, em retrogradação...
O universo está estabelecido sobre o caos, e a sociedade humana sobre o antagonismo... Mas,... se, neste universo, toda a acção acabar por encontrar uma reacção igual, e se as forças se balanceiam, não se passa o mesmo entre ele e a humanidade, que triunfa incessantemente sobre a fatalidade das coisas e sobre a fatalidade do seu organismo, e sozinha se constitui soberana... Esta liberdade franca, livre de qualquer condicionalismo, é confirmada pela história e pela Justiça, que se podem definir, a primeira como a evolução da liberdade, a segunda como o pacto que a liberdade faz consigo própria para a conquista do mundo e para a subordinação da natureza.
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