O trabalhismo histórico:
história, realização do ser colectivo
Acção inteligente do homem sobre a matéria, com um objectivo previsto de satisfação pessoal, o trabalho -campo de observação da economia politica - considerado... historicamente nas suas determinações científicas... aparece como a força plástica da sociedade que determina as diversas fases do seu crescimento... e por conseguinte, o seu organismo tanto externo como interno. (Créat. de l’O., cap. V.)
Sob o ponto de vista de organização, as leis da economia política são as leis da história. Uma vez que temos que constatar pelos factos a certeza da ciência económica, é sob o ponto de vista do trabalho - isto é: 1.º Do produto, do valor, da formação dos capitais, do crédito, da troca, das moedas, etc.; 2.º Da especialidade e da síntese do trabalho, da coordenação das funções, da solidariedade e da responsabilidade do trabalho; 3.º Da distribuição dos instrumentos de trabalho e da repartição dos produtos, segundo o mérito e a justiça - que temos que estudar a história...
O trabalho age sobre a economia das sociedades, liberta o proletariado, dá e retira as riquezas às nações, provoca pouco a pouco a aliança entre os povos e a igualdade das condições...
Depois de ter observado a influência do trabalho sobre a sociedade, no que diz respeito à produção e à circulação das riquezas, convém seguir as suas manifestações orgânicas nos movimentos revolucionários e nas formas de governo... Sob este novo ponto de vista, o sistema social e tudo o que ele encerra - culto, guerra, comércio, ciência e arte, ete. - determina-se realmente e constitui-se realmente segundo as leis da organização, que descrevemos. (Créat., de l'O., cap. V.)
A propriedade é o principio fundamental, com a ajuda do qual se podem explicar as revoluções da história... fazer a história da propriedade de um povo, isto é, como atravessou as crises da sua formação política, como produziu os seus poderes, os seus órgãos, equilibrou as suas forças, regulou os seus interesses, dotou os seus cidadãos, como viveu, como morreu. (Th. de la Propr., concl.)
O progresso das reformas na sociedade-não é outro senão a própria determinação da ciência económica... A economia política abrange a organização da fábrica e do govemo, a legislação, a instrução pública, a constituição da família, a administração do globo: ela é a chave da história.
A história é explicado... pela economia política...
A história... é a mesma coisa que a economia política considerada sob determinado ponto de vista. (Créat. de l’O., cap. V.)
Movimento da sociedade, sob a acção das leis económicas: no primeiro grau da evolução social, as especialidades científicas e industriais estão envoltas na raça... A constituição da sociedade tem lugar pela reunião incessante das diferentes especialidades de trabalho no corpo político... A atracção parte do centro, e estende-se à circunferência. O organismo social aparece, pois, primeiro sob a imagem duma série piramidal, cujo cume é ocupado pelo príncipe e cuja base se apoia no proletariado. Mas já uma centelha percorre esta matéria orgânica... Aqui está, como no Oriente, como na Grécia - o que chama a atenção do economista - a tendência invariável da sociedade para, em primeiro lugar, se constituir como corpo político; para produzir no exterior... os seus órgãos de conservação, antes de se desenvolver interiormente, como centro de produção e de consumo... O despotismo oriental, depois de ter ressuscitado, cinco ou seis vezes, das cinzas, sucumbiu pela insuficiência da sua divisão; a Gréeia democrática perdeu-se não só pelo excesso de oposição, como pelo desprezo a que votava as funções industriais; Roma, republicana e imperial, perdeu-se porque, depois de ter constituído a sua forte hierarquia, parou perante a propriedade indivisa, os latifúndios, a escravidão e a usura, e não soube republieanizar a agricultura, a indústria e o comércio...
Tanto sangue derramado, por ocasião das leis agrárias! Era a ordem agricolo-industrial que tentava constituir-se, a par da ordem política: mas a ideia não estava amadurecido: em lugar duma ciência económica, vieram os códigos, o Digesto, as Pandectas... em lugar da igualdade, o Império... Tendo abortado este imenso trabalho de organização, foi preciso recomeçar tudo de novo...
A continuação é conhecida... O último aparelho orgânico ainda não viu a luz do dia, o mal ainda dura, a dor está lá, surda, devoradora, até forçar a sociedade a explodir...
Como sistema político, a feudalidade caiu sob os esforços reunidos das comunas e dos reis; mas, na administração, na indústria... a feudalidade ainda nos sufoca...
O proletário do século XIX... é sobretudo o trabalhador parcelar, sem aptidão e sem iniciativa... O proletário é, pois, menor na sociedade... Se a história o quadro, desenrolado no tempo, do organismo colectivo, o escravo, o plebeu, o servo, o proletário, é o símbolo do cidadão menor...
Autores eminentes contaram as dores desta miserável categoria de homens que, sob o nome de escravidão de plebianismo, de servidão e de proletariado aparece em todos os povos e em todas as épocas da história... Eles profetizaram a extinção do pauperismo; mas ninguém, que saibamos, determinou as verdadeiras causas desta anomalia... O princípio do pauperismo reside na falta de equilíbrio entre o produto e o salário do trabalhador, isto é, no rendimento levantado pelo capitalista ocioso: esta tese foi superabundantemente demonstrada: Qu’est-se que la Proprieté? (Lettre à M. Blanqui, Paris, 1841.)
Para que o povo subsista e a sociedade dure, é preciso centralizar o comércio, a agricultura e a indústria; proporcionar a produção às necessidades... é preciso regulamentar a fábrica, policiar o mercado, converter em imposto o rendimento do capitalista, republicanizar a propriedade... A agricultura, o comércio e a indústria devem ser centralizados como a administração... nunca o trábalho... organizado pelo Estado. (Créat. de l’O., 1843, cap. V.)
Evolução das leis económicas: Constituição progressiva da sociedade.
Referimo-nos à história no passado... Mesmo, agora, expô-la-emos no futuro... Há leis que nos conduzem segundo uma linha... Podemos determinar a forma geral da sociedade... porque na concepção do trabalho, nas suas transformações e nas suas leis, a economia política, não são dados o possível, e o real, a ordem e a anomalia. (Créat. de l’O., cap. VI.)
Os homens que observavam com atenção o movimento económico... faziam realçar... a incoerência dos elementos sociais, e mostravam o seu antagonismo e as suas inumeráveis contradições... Era a anarquia industrial.
Uma tal situação... diziam eles... deve conduzir fatalmente... a uma feudalidade industrial... À feudalidade industrial... deve suceder, segundo as leis das antinomias históricas, uma democracia industrial, resultado este da oposição dos termos... qual sera o agente desta revolução?... A história ainda no-lo revela: entre a antiga feudalidade e a Revolução, houve, como regime transitório, o despotismo.
Entre a nova feudalidade e a liquidação, teremos um Império industrial. (Man. dun Spéc.)
Depois de termos determinado... as leis do trabalho, mostrámos as suas manifestações espontâneas e as suas aplicações na história... A ordem cria-se, na humanidade, pelo conhecimento que o ser oclectivo adquire das suas leis... O trabalho, considerado sinteticamente nas leis da produção e da organização, cria a justiça... (Créat. de l’O., cap. V.)
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