sexta-feira, dezembro 18, 2009

O NEGRO E O VERMELHO

A LIBERDADE:
FORÇA DA COLECTIVIDADE HUMANA

O campo aberto diante da espontaneidade humana. Já não se trata senão de saber como esta espontaneidade se torna liberdade ou livre arbítrio; como, através da energia do seu eu, o homem se liberta, não só da necessidade externa, mas também da necessidade da sua natureza... Nos seres inferiores, a espontaneidade explode, fatalmente, diante das provocações do exterior; ela não é capaz de reagir, ou de não reagir, muito menos ainda de se dominar e de desobedecer às suas próprias leis, que segue cegamente, sem nunca se poder desviar delas... O homem tem o privilégio... não só de reagir ou de não reagir, à sua escolha, contra o exterior, mas também de resistir à sua própria espontaneidade... orgânica, intelectual, moral, social; de usar e de abusar desta espontaneidade, de a destruir, numa palavra: de negar, em si e fora de si, todo o fatalismo... O homem, porque não é uma espontaneidade simples, mas um composto de todas as espontaneidades ou forças da natureza, goza do livre arbítrio. (Justice, Conscience et Liberté.)
O homem, ser organizado, é um composto de forças. (La Guerre et la Paix, liv. II, cap. VII.)
O homem é complexo, é um composto de matéria, de inteligência... (Justice, Consc. et Lib.)
O homem vivo é um grupo (Philos. du Prog., l.ª carta, cap. IV.)
Digo então que ele é livre, em nome da síntese da sua natureza.
Por toda a parte onde haja grupos, se produz uma resultante, que é a força do grupo - distinta não só das forças particulares que compõem o grupo, mas também da sua soma, e que exprime a sua unidade sintética - a função de base, central.
Qual é, no homem, essa resultante? É a Liberdade.
O homem é livre, e não pode deixar de sê-lo, porque é composto; porque, a lei de todo o composto é produzir uma resultante, que é a sua própria força; porque, sendo o composto humano formado por corpo, vida, espírito, subdivididos em faculdades cada vez mais especificas, a resultante, proporcional ao número e à diversidade dos princípios constituintes, deve ser uma força superior a todas as leis do corpo, da vida e do espírito: precisamente aquilo a que chamamos livre arbítrio... Foi assim que vimos os grupos industriais, faculdades constituintes do ser colectivo, criarem, através da sua ligação, uma força superior, que é... poderemos dizer, a liberdade do ser social. (Justice, Consc. et Liberté.)

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