§ 6.º - QUE NA SOCIEDADE TODOS OS SALÁRIOS SÃO IGUAIS
Quando os são-simonianos, ou fourieristas e em geral todos os que, nos nossos dias, se ocupam de economia social e de reforma inscrevem na bandeira:
A cada um segundo a sua capacidade, a cada capacidade segundo as suas obras. (Saint-Simon)
A cada um segundo o seu capital, o seu trabalho e o seu talento. (Fourier)
entendem, se bem que não o digam de uma maneira tão formal, que os produtos da natureza, solicitada pelo trabalho e pela indústria, são uma recompensa, uma palma, uma coroa proposta a todas as espécies de proeminências e superioridades; olham a terra como uma arena enorme na qual os preços são disputados, não a golpes de espada, pela força e traição, mas pela riqueza adquirida, pela ciência, o talento e a própria virtude. Numa palavra, entendem, levando com eles toda a gente, que à maior capacidade é devida a maior retribuição; servindo-me do estilo do negociante, que tem o mérito de não ser equívoco, são de opinião que os salários devem estar em relação com a obra e a capacidade.
Os discípulos dos dois pretensos roformadores não podem negar que seja esse o seu pensamento, porque então cairiam em contradição com as suas interpretações oficiais e quebrariam a unidade dos sistemas. De resto não é de recear uma tal negação da sua parte: as duas seitas fazem questão em declarar como priincípio a desigualdade das condições segundo as analogias da natureza porque, dizem, ela própria quis a desigualdade das capacidades; alegram-se de conseguir, pela sua organização política, que os desigualdades sociais estejam sempre de acordo com as desigualdades naturais. Quanto à questão de saber se a desigualdade das condições, quer dizer, dos salários.
é possível, não se preocupam mais do que em fixar a métrica das capacidades (1).
A cada um segundo a sua capacidade, a cada capacidade segundo as suas obras.
A cada um segundo o seu capital, o seu trabalho e o seu talento.
Desde que Saint-Simon morreu e que Fourier se divide entre os seus inúmeros adeptos ninguém tentou dar ao públíco uma demonstração científica dessa grande máxima; e apostaria cem contra um em que nenhum fourierista duvida sequer que esse aforismo biforme seja susceptível de duas interpretações diferentes.
A cada um segundo a sua capacidade, a cada capacidade segundo as suas obras.
A cada um segundo o seu capital, o seu trabalho e o seu talento.
Esta proposição tomada, como se diz, in sensu obvio, aparente e vulgar, é falsa, absurda, injusta, contraditória, hostil à liberdade, tirana, anti-social e fatalmente concebida sob a influência categórica do preconceito proprietário.
Em primeiro lugar o capital deve ser abolido dos elementos da retribuição. Os fourieristas, tanto quanto pude aperceber-me por algumas das suas brochuras, negam o direito de ocupação e só reconhecem o trabalho como único princípio de propriedade: com uma tal premissa teriam compreendido, se tivessem raciocinado, que um capital só produz para o seu proprietário em face do direito de ocupação, partindo do princípio de que essa produção é ilegítima. Com efeito, se a trabalho é o único princípio da propriedade, deixo de ser proprietário do meu campo na medida em que um outro que o explora me paga uma renda: já o demonstrámos irrefutávelmente:
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(1) Segundo Saint-Simon o padre são-simoniano devia determinar a capacidade de cada um em face da sua infalibilidade pontifical, imitação da Igreja romana; segundo Fourier as classes o os méritos seriam designados por voto e eleição. Imitação do regime constitucional. Evidentemente que o grande homem troçou do leitor: não quis dizer o seu segredo.
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