Portanto, se esses 200 francos passarem para o consumo em vez de serem levantados do produto bruto para entrarem no pecúlio e se capitalizarem, em vez de serem Ievantados do produto bruto para entrarem no pecúlio e se capitalizarem, há um défice anual de 200 trancos sobre o activo da economia doméstica, de tal maneira que no fim de quarenta anos essa boa gente, que não desconfia de nada comeu o que tinha e cai na falência.
Este resultado parece ridículo: é uma triste realidade.
O recenseamento chega... O que é o recenseamento? Um acto de propriedade exercido de improviso pelo governo sobre as famílias, uma espoliação de homens e dinheiro. Os camponeses não gostam de deixar partir os seus filhos: nisso acho que não fazem nada mal. É difícil que um homem de vinte anos beneficie estando nas casernas; quando não se corrompe, detesta-se. Julguem da moralidade geral do soldado pelo ódio que ele tem ao uniforme: infeliz ou mau sujeito, é a condição do Francês sob as bandeiras. Não deveria ser assim mas é. Interroguem cem mil homens e estaram certos de que nem um me desmentirá.
O nosso camponês desembolsa 4.000 francos que pede emprestados para resgatar os dois soldades: a 5 por cento eis os 200 francos de que falávamos há pouco. Se até aí a produção da família, regularmente nivelada pelo consumo, foi de 1.200 francos, sejam 200 por pessoa, para servir esse interesse será preciso ou que os seis trabalhadores produzam por sete ou que apenas consumam por cinco. Diminuir no consumo não se pode; como conseguir o necessário? É impossível produzir mais; não se saberia trabalhar nem mais nem melhor. Experimentar-se-á um meio termo, consumir como cinco e meio produzindo como seis e meio? Dentro em pouco se perceberá que com o estômago não há enganos; que abaixo de um determinado grau de abstinência é impossível descer; que o que pode ser tirado ao necessário sem prejudicar a saúde é pouca coisa; e quanto ao crescimento do produto vem uma geada, uma epizootia, uma seca, e vai-se toda a esperança do trabalhador. Em breve a renda não será paga, os interesses acumular-se-ão, a pequena propriedade será usurpada e o velho possuidor escorraçado.
Assim, uma família que viveu feliz enquanto não exerceu o direito de propriedade, cai na miséria logo que o exercício desse direito se toma uma necessidade. A propriedade, para ficar satisfeita, exigiria que o colono tivesse o duplo poder de ampliar o solo e fecundá-lo pela palavra. Simples possuidor da terra o homem tira dela com que subsistir; se pretende o lugar de proprietário ela já não lhe chega. Não podendo produzir senão o que consome, o fruto que colhe do seu trabalho é a recompensa do labor: não há nada para o instrumento.
Pagar o que não pode produzir, tal é a condição do rendeiro depois que o proprietário se retirou da podução sociaI para explorar o trabalhador com novas práticas.
Voltemos agora à nossa primeira hipótese.
Os novecentos trabalhadores, seguros de tanto terem produzido no passado, ficam muito admirados depois de terem pago a sua renda, de se encontrarem um décimo mais pobres que no ano anterior. Com efeito, sendo esse décimo produzido e pago pelo proprietário trabalhador, que participava então na produção e nos encargos públicos, agora esse mesmo décimo não foi produzido e foi pago; deve, então encontrar-se a menos no consumo do produtor. Para preencher esse défice incompreensível o trabalhador pede emprestado com a plena certeza de pagar, certeza que no ano seguinte se reduz a um novo empréstimo acrescido dos juros do primeiro. A quem pede emprestado? ao proprietário. O proprietário empresta ao trabalhador o que recebeu a mais: e esse excesso que devia entregar progride de novo sob a forma de empréstimo a juros. Então as dívidas amontoam-se indefinidamente,, o proprietário deixa de fazer adiantamentos a um produtor que não lhe paga, e este, sempre roubado e devendo sempre o que lhe roubam, acaba na falencia de todo o bem que lhe tiraram.
Admitamos que o proprietário para usufruir dos seus lucros, tendo necessidade do rendeiro, o considera descriminado: terá feito um acto de grande generosidade pelo qual o senhor cura o elogiará no seu sermão; enquanto que o pobre rendeiro, confuso com este caridade inexplicável, ensinado pelo catecismo a rezar pelos seus benfeitores, promete redobrar-se de coragem e privações a fim de se redimir perante um senhor tão digno.
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