Desta vez toma as suas medidas; sobe o preço dos cereais. O industrial faz outro tanto para os seus produtos; a reacção tem lugar e, depois de algumas oscilações, a renda que o camponês julgou impor ao industrial encontra-se mais ou menos equilibrada. Tão bem que enquanto se aplaude pelo êxito encontra-se de novo empobrecido, mas numa proporção um pouco menor que antes. Porque, tendo a subida sido geral, essa subida atinge o proprietário: de maneira que os trabalhadores em vez de estarem um décimo mais pobres apenas o estão nove centésimos. Mas é sempre uma dívida para a qual será preciso pedir emprestado, pagar juros, poupar e jejuar. Jejuar para os nove centésimos que não se deviam pagar e se pagam; jejum para amortizar as dívidas; jejum para os juros: que a colheita falte, o jejum irá até à fraqueza. Diz-se: é preciso trabalhar mais. Mas primeiro o excesso de trabalho mata tanto como o jejum; que acontecerá se se reunirem? - É preciso trabalhar mals; isso significa aparentemente que é preciso produzir mais. Em que condições se opera a produção? Pela acção combinada do trabalho, dos capitais e do solo. Quanto ao trabalho o rendeiro encarrega-se de o fornecer; mas os capitais só se formam amealhando; ora se o rendeiro pudesse economizar qualquer coisa pagaria as suas dívidas. Admitamos, enfim, que os capitais não lhe faltem: de que lhe servirão se a extensão da terra que cultiva fica sempre a mesma? É o solo que é preciso ampliar.
Dir-se-á então que é preciso trabalhar melhor e mais frutuosamente? Mas a renda foi calculada sobre uma média de produção que não pode ser ultrapassada: se fosse de outra maneira o proprietário aumentaria a renda. Não é assim que os grandes proprietários de terras têm aumentado sucessivamente o preço das suas rendas à medida que o crescimento da população e o desenvolvimento da indústria lhes ensinaram o que a sociedade podia tirar das suas propriedades? O proprietário conserva-se estranho à acção social: mas qual vampiro, os olhos fixos na presa, está pronto a saltar sobre ela e a devorá-la.
Os factos que observámos numa sociedade de mil pessoas reproduzem-se, ampliados, em cada nação e em toda a humanidade, mas com infinitas variações e múltiplos caracteres que não é do meu desejo descrever.
Em resumo, a propriedade depois de ter despojado o trabalhador pela usura, assassina-o lentamente extenuando-o; ora sem a espoliação e o assassínio a propriedade não é nada; com a espoliação e o assassínio logo perece, por falta de sustento: portanto, a propriedade é impossível.
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