sexta-feira, maio 14, 2010

Santificadas sejam as vossas perversões

Será de esperar que, quando um Chefe de Estado em visita a um país critique abertamente o seu ordenamento jurídico, se gere um incidente diplomático grave. A menos que se trate do Papa e as críticas incidam sobre a legislação relativa à interrupção voluntária da gravidez e sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Nesse caso, sobretudo quando a cartilha é a mesma de alguém em campanha que, ao convidá-lo, sabia estar também a encomendar-lhe o sermão, entende-se e dá-se-lhe o devido desconto. Duas pessoas do mesmo sexo que se casem ou uma mulher que aborte não produzem nem a mão-de-obra barata que deveriam produzir, nem rabinhos frescos para alimentar as perversões escondidas que Bento XVI branqueou ao longo da sua vida. Está visto, tolera-as melhor do que a abolição das aberrações civilizacionais que defende. Homossexualidade e aborto, só onde ninguem veja e se ninguém souber. Nesse caso, santificadas sejam as vossas perversões. Não há nada que uns quantos pai nossos e outras tantas avé marias não limpem. Deixam qualquer alminha pronta para o reino dos céus. Vota Cavaco.

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