terça-feira, agosto 17, 2010

O NEGRO E O VERMELHO

Daí as ansiedades e as hesitações da política francesa, desde Villa-franca até à retirada do Sr. Thouvenel. Que podiam diante de uma situação contraditória as reticências, as distinções, os adiamentos, os subterfúgios e todas as habilidades da diplomacia? Deixou¬se fazer aquilo que se tinha o direito e o dever e que se não teve a coragem de impedir; deixou¬se a palavra aos acontecimentos, o que quer dizer aos imprevistos; solicitou¬se da Europa absolutista o reconhecimento de um reino do qual se desaprovava a origem usurpadora tanto como se conhecia o perigo; fatigou¬se a opinião puxando¬a ora no sentido voltai¬riano e demagógico ora na direcção da realeza e clerical. E a contradição tornou¬se cada vez mais flagrante, a responsabilidade mais intensa, a situação pior.
Agora admirai os julgamentos da opinião e suas voltas. Árbitro da Europa, digo da Europa conservadora, em 1852 e 1856, esperança da democracia em 1859, o governo imperial é hoje denunciado pelas duas, e de que crime? Se me não enganei na apreciação que acabei de fazer das intenções do Imperador em relação aos Italianos, o que desejo de todo o coração, o seu crime, aos olhos dos partidos opostos, foi ter querido: 1º Libertar a Itália; 2º confederá¬la. Por esta ideia, a mais sã e mais feliz, que a história registará, ei–lo ao mesmo tempo proscrito pelos que se chamam faustosamente a Revolução, e pelos que bem mais justamente se chamam a contra¬ revolução. Se o bom Géronte ainda fosse deste mundo, diria a Napoleão III: Mas que fostes vós fazer, Sire, nessa maldita galera? Só a República podia libertar a Itália, porque só ela podia, sem se tornar suspeita, dar¬lhe, e se necessário impor¬ lhe, a federação.

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