terça-feira, outubro 26, 2010

Daqui ninguém sai.

O sistema de recrutamento da Igreja Católica é bem pensado. Baptiza-se a criança logo que nasce, massaja-se a crença no cérebro tenrinho e, quando finalmente ela começa a pensar por si, já tem tão cravada a ideia de que rejeitar esta religião é pecado que acaba por fazer o mesmo aos seus filhos.

Mas havia um buraco. Era possível, em adulto, deixar esta religião. Não era um buraco grande, porque era preciso tanta papelada e burocracia para formalizar a apostasia que, até recentemente, não havia muita gente disposta a passar por isso. Eu, por exemplo, não aproveitei enquanto podia. Sempre me pareceu absurdo que desse tanto trabalho sair duma organização que até recém-nascidos aceita.

Agora parece que já nem assim. Na Irlanda, a campanha de apostasia foi suspensa porque a Igreja Católica deixou de processar estes pedidos. Uma alteração do direito canónico, em Agosto, fez com que já não seja permitida a saída formal da Igreja Católica.

Mas sobra ainda a via da excomunhão. Suponho que continuem a ter de excomungar quem rejeita o espírito santo. Eu rejeito, caso não soubessem. Esse, a fada dos dentes, o Pai Natal, e o que mais quiserem. Julgo que não faz sentido continuarem a contar-me entre os católicos.

Até porque, em 1949, Pio XII excomungou todos os católicos que apoiavam o comunismo. E em 1996 a excomungaram o grupo católico Call to Action por reivindicar o sacerdócio das mulheres, o fim do celibato e outras reformas. Dados estes precedentes, podiam fazer o jeitinho e excomungar os ateus todos de uma vez. Ficava tudo em pratos limpos, deixavam de contar para as vossas estatísticas uma data de gente que não é católica e evitavam dar a impressão de que tirar pessoas da Igreja Católica é só mais um mecanismo de coerção e não uma opção que respeite quem não queira pertencer ao vosso clube.

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