9. Proudhon contra a Mulher e Defensor da Família
As posições de Proudhon sobre a mulher são sem dúvida pouco justificadas. É um dos pontos mais fracos dos seus escritos, mas, do meu ponto de vista, o seu pensamento sobre este aspecto não tem mais que um carácter episódico em relação ao fundo da questão, e não põe em causa a sua metodologia. Para Proudhon, o homem e a mulher não são desiguais, mas têm um papel diferente na família. Se Proudhon considerava a mulher menos forte fisicamente, e menos inteligente (para a racionalidade), via-a dotada em maior grau de ideal, de intuição, de beldade que o homem. Ao ponto que ele lhe confiava o papel educador das crianças, e quando sabemos da importância que Proudhon associava à educação, não é um dado negligenciável. Não tendo os mesmos dons, os esposos vêm atribuídos um papel diferente na família, mas a complementaridade destes dois papéis tornava-os indispensáveis um ao outro, e deste facto, o estatuto no casal era de igualdade. A tese de Proudhon peca pela atribuição que ele faz ao homem e à sua mulher de papéis sociais que nada têm de natural, mas são determinados pelas condições sociais duma dada cultura. A Proudhon falta-lhe, portanto, relativismo cultural e histórico, posição que poderia ser explicada pelas tendências homossexuais latentes de Proudhon, isto a acreditarmos em Daniel Guérin. Todavia, as ideias de Proudhon tiveram pelo menos o mérito da honestidade intelectual, pois punha em conformidade os seus actos e o seu pensamento. Os comentários de Proudhon encontram-se prin-
cipalmente num livro póstumo, publicado bem após a sua morte, “A Pornocracia ou as Mulheres nos Tempos Modernos”. Se foi escrito quer dizer, portanto, que Proudhon o tinha pensado, mas tinha recusado publicá-lo, pois se tinha dado conta do seu carácter pessoal e passional. (prestaram-lhe um mau serviço ao editar este livro, sem dúvida sob a pressão da ala direita dos seus discípulos.) Mas qual é o pensamento que não contém algum anacronismo, quando é examinado mais de um século após a sua publicação?
Quanto à família, Proudhon estava perfeitamente consciente do seu papel de transmissor de autoridade, no quadro das relações sociais da sua época. Mas, se sempre defendeu, e com tanto moralismo, a família, era porque ela constituía também pela educação, uma protecção contra o poder centralizado e totalitário, uma linha de defesa contra a mobilização dos es-
píritos, que resultava dos regimes comunitários pre-conizados por Cabet. Para ilustrar este ponto de vista, não é interdito pensar que um dos fins latentes da educação gratuita, laica e obrigatória, cara a Jules Ferry, era de conformar todo o mundo aos ideais do Estado laico, burguês, centralista e republicano, em proporção com os conhecimentos necessários para não concluir a desobediência civil e o espírito crítico.
É certo também que todos os regimes centralizados tentam incutir na família o papel de transmissor da autoridade social quando não chegam a uniformizar os caracteres com bastante força nas diferentes instituições, escolares ou outras. Não podemos portanto criticar a posição de Proudhon sobre a família a não ser que olhemos o problema de mais perto, pois em Proudhon, a família não é a unidade constitutiva da sociedade, ela não está na origem do Estado (ao contrário de Bonald): é a oficina. Ela é um grupo natural, podendo por em xeque o Estado. Ela não está assente sobre a autoridade do “pater familias”, mas sobre a educação anti-autoritária das crianças. Relativemos ainda este desenvolvimento citando Proudhon, para mostrar que era bem mais diferenciado do que se diz: “Acredito na prepotência do homem, mas acredito na superioridade da mulher”. (Não disse Marx que o que mais gostava no homem, era a sua força, e na mulher, a sua fraqueza?)
As posições de Proudhon sobre a mulher são sem dúvida pouco justificadas. É um dos pontos mais fracos dos seus escritos, mas, do meu ponto de vista, o seu pensamento sobre este aspecto não tem mais que um carácter episódico em relação ao fundo da questão, e não põe em causa a sua metodologia. Para Proudhon, o homem e a mulher não são desiguais, mas têm um papel diferente na família. Se Proudhon considerava a mulher menos forte fisicamente, e menos inteligente (para a racionalidade), via-a dotada em maior grau de ideal, de intuição, de beldade que o homem. Ao ponto que ele lhe confiava o papel educador das crianças, e quando sabemos da importância que Proudhon associava à educação, não é um dado negligenciável. Não tendo os mesmos dons, os esposos vêm atribuídos um papel diferente na família, mas a complementaridade destes dois papéis tornava-os indispensáveis um ao outro, e deste facto, o estatuto no casal era de igualdade. A tese de Proudhon peca pela atribuição que ele faz ao homem e à sua mulher de papéis sociais que nada têm de natural, mas são determinados pelas condições sociais duma dada cultura. A Proudhon falta-lhe, portanto, relativismo cultural e histórico, posição que poderia ser explicada pelas tendências homossexuais latentes de Proudhon, isto a acreditarmos em Daniel Guérin. Todavia, as ideias de Proudhon tiveram pelo menos o mérito da honestidade intelectual, pois punha em conformidade os seus actos e o seu pensamento. Os comentários de Proudhon encontram-se prin-
cipalmente num livro póstumo, publicado bem após a sua morte, “A Pornocracia ou as Mulheres nos Tempos Modernos”. Se foi escrito quer dizer, portanto, que Proudhon o tinha pensado, mas tinha recusado publicá-lo, pois se tinha dado conta do seu carácter pessoal e passional. (prestaram-lhe um mau serviço ao editar este livro, sem dúvida sob a pressão da ala direita dos seus discípulos.) Mas qual é o pensamento que não contém algum anacronismo, quando é examinado mais de um século após a sua publicação?
Quanto à família, Proudhon estava perfeitamente consciente do seu papel de transmissor de autoridade, no quadro das relações sociais da sua época. Mas, se sempre defendeu, e com tanto moralismo, a família, era porque ela constituía também pela educação, uma protecção contra o poder centralizado e totalitário, uma linha de defesa contra a mobilização dos es-
píritos, que resultava dos regimes comunitários pre-conizados por Cabet. Para ilustrar este ponto de vista, não é interdito pensar que um dos fins latentes da educação gratuita, laica e obrigatória, cara a Jules Ferry, era de conformar todo o mundo aos ideais do Estado laico, burguês, centralista e republicano, em proporção com os conhecimentos necessários para não concluir a desobediência civil e o espírito crítico.
É certo também que todos os regimes centralizados tentam incutir na família o papel de transmissor da autoridade social quando não chegam a uniformizar os caracteres com bastante força nas diferentes instituições, escolares ou outras. Não podemos portanto criticar a posição de Proudhon sobre a família a não ser que olhemos o problema de mais perto, pois em Proudhon, a família não é a unidade constitutiva da sociedade, ela não está na origem do Estado (ao contrário de Bonald): é a oficina. Ela é um grupo natural, podendo por em xeque o Estado. Ela não está assente sobre a autoridade do “pater familias”, mas sobre a educação anti-autoritária das crianças. Relativemos ainda este desenvolvimento citando Proudhon, para mostrar que era bem mais diferenciado do que se diz: “Acredito na prepotência do homem, mas acredito na superioridade da mulher”. (Não disse Marx que o que mais gostava no homem, era a sua força, e na mulher, a sua fraqueza?)
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