quarta-feira, novembro 24, 2010

O NEGRO E O VERMELHO

PROUDHON,O ETERNO RETORNO

A todos os manifestantes
anti globalização
presentes e futuros
com esperança,
tenacidade
e preseverança

PREFÁCIO

Proudhon é o homem que soube dar à permanência dos problemas, mais importância que à permanência dos escritos. Eis porque não se pode acabar com Proudhon. O marxismo dogmático tinha já enviado o fantasma de Proudhon para a pré história dos tempos modernos. “Pré marxista” tinham afirmado os doutores em socialismo científico. Inconsequente esta tese. Mas seguramente pós marxista, pois mais de uma década após a queda do muro de Berlim, Proudhon permanece um dos raros pensadores socialistas que podemos reler sem rir, ou sem chorar.
No socialismo, o proudhonismo ficou como o testemunho de questões que o marxismo não soube e não quis tratar de maneira satisfatória.
Eis porque o destino póstumo da sua obra ultrapassa largamente a aventura do socialismo no século XX. Enquanto que Marx arrisca esgotar-se nesta aventura, a antropologia política de Proudhon surge praticamente intacta das ruínas fumegantes do comunismo.
O substrato do seu pensamento – o anti autoritarismo, a autonomia, a soberania do direito – nunca pareceu tão actual. Eis porque os retornos periódicos a Proudhon, à cadência dum por geração (1875, 1900,1920, 1940,1968, etc), inscrevem-se no interior duma espécie de evidência histórica, como o modo de filosofia emanente não só do mundo operário, mas do mundo assalariado.
Escritos em momentos distintos deste processo, estes textos encontram-se agora juntos pelo destino que possibilitou a sua edição. Fazem todos parte da obra Investigações Proudhonianas (I.P.) que na sua maior parte se encontra ainda inédita. Obra dividida em três partes: revisitação de temas e de acontecimentos históricos na primeira, mostra duma ligação umbilical ao Portugal do século XIX na segunda e finalmente uma projecção para um futuro que se quer cada vez mais presente, na terceira.
Em relação ao debate sempre actual sobre a noção de influência, é urgente apontar o caso de Proudhon como um raro exemplo de homologia estrutural entre uma obra e uma situação histórica.
Por aquilo que se disse e não se disse mas que ficou implícito, Proudhon ocupa no pensamento social contemporâneo uma posição original e inexpugnável.

O tempo é relativo às disponibidades nele posto.

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