quinta-feira, novembro 18, 2010

O NEGRO E O VERMELHO

TESES SOBRE PROUDHON

IV

Não pode haver amor no capitalismo.

Na sociedade capitalista do final do século XX, não obstante a presença de outros apetites mais ou menos reprimidos, a sedução da mulher pelo homem é ainda o facto fundamental. Isto remete para o problema da produção das relações entre homem e mulher na forma de bens e serviços, ou seja, como exemplo de mercadoria.
Classicamente é o velho tema da prostituição. Não se pode limitar este termo àquelas mulheres que extraem os seus ganhos ou parte deles desta actividade, porque um enorme número que se entregam a esta função, fazem-no como pequeno suplemento às suas ocupações regulares. A definição exige que o pagamento por uma relação sexual seja em dinheiro e seja feito por cada um dos contactos. Se devesse aplicar o termo de prostituição a todos os actos sexuais pelos quais um dos participantes recebe uma qualquer remuneração, seria impossível traçar uma linha demarcatória entre a categoria mais notória de prostituição comercializada e as relações entre marido e mulher. A rapariga que quer ser levada a cear ou a qualquer espectáculo antes de aceitar relações sexuais com o amigo ou com o noivo, encontra-se empenhada numa realização bastante mais comercial do que desejaria admitir. Os presentes que os machos de todas as classes sociais fazem às raparigas com quem acompanham, podem estar recobertos de nobres sentimentos, mas são em grande parte o pagamento das relações sexuais a que se propõem.
Na realidade compreende-se que é necessário acabar com as reservas impostas ao amor, quer se trate de tabus, conveniências, de procriação, de constrangimento, de ciúme, de todas as formas de troca que, transformam a arte de amar em relações entre coisas.

Sem comentários: