quarta-feira, novembro 24, 2010

[Portugal] Crônica da manifestação antimilitarista em Lisboa contra a Otan

Neste sábado (20 de novembro), cerca de 30.000 manifestantes desceram a Avenida da Liberdade, em Lisboa, debaixo de um dispositivo policial nunca visto, com polícia de operações especiais postada na Rotunda do Marquês e helicópteros sobrevoando a baixa lisboeta.

Milhares e milhares de bandeiras do Partido Comunista Português (PCP) numa manifestação que ficou marcada pela divisão clara entre movimentos autoritários e movimentos não autoritários em Portugal. O fato da organização desta manifestação ter mostrado um sectarismo absoluto tendo, inclusive, em comunicado público, considerado a PAGAN (Plataforma Anti-Guerra, Anti-Nato), portuguesa, e todas as organizações internacionais antimilitaristas e pacifistas personas não gratas nesta manifestação, revela até que ponto o nacionalismo reacionário desta esquerda chegou. A polícia cumpriu o papel que um estado cada vez mais militarizado e policial lhe reservou.

Iniciado o desfile, na rabeira da manifestação, dezenas de ativistas antimilitaristas da PAGAN e internacionais desfilaram com todo o aparato bélico nas suas costas e à sua frente a ignomínia de "gorilas" a impedir a sua aproximação, fascistatização de autoritários, numa Europa onde isto já é raro, todo este preconceito contra o antimilitarismo.

Centenas de anti-autoritários quiseram juntar-se à manifestação, a seguir à PAGAN. A polícia imediatamente estabeleceu uma barreira para impedi-los de avançar. Ouviram-se gritos de "Vergonha!", centenas de apitos, gritos da multidão, ativistas da PAGAN parados recusando-se a avançar enquanto as pessoas retidas não se juntassem à manifestação... gritos de indignação pela fascistatização da polícia... não mostrando medo e resistindo conseguiram que a polícia se afastasse e que a manifestação seguisse o seu rumo. Dezenas de faixas anti-Otan, anti-guerra, bandeiras anarquistas, tambores, slogans como "Otan terrorista", "A paixão pela liberdade é mais forte que a autoridade!"

"Ativistas presos, liberdade já!", palhaços antimilitaristas em performances junto da polícia, a solidariedade anti-autoritária no final da manifestação que se prolongou no Rossio, no Largo Camões e em Monsanto, onde os ativistas continuam presos, em protesto e exigindo a libertação dos ativistas presos esta manhã durante a ação direta não violenta de bloqueio em Cabo Ruivo, à entrada da Cúpula da Otan.

A linha clara entre um nacionalismo balofo e decadente de uma esquerda, anquilosada e fascistóide, e um antimilitarismo internacionalista pujante é, sem dúvida, uma das conseqüências da preparação e realização das atuais Ações anti-Otan, em Portugal.

Mais infos:

http://antinatoportugal.wordpress.com/

Galeria de fotos:

http://www.flickr.com/photos/amazv/sets/72157625445808850/show

agência de notícias anarquistas-ana

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