É uma ditadura, a Tunísia? E o Egipto, é uma ditadura? Ao ver os meios de comunicação social deleitarem-se agora com a aplicação da palavra “ditadura” à Tunísia de Ben Ali e ao Egipto de Mubarak, os franceses devem ter-se questionado se estariam a ler ou ouvir bem. Não tinham esses mesmos meios de comunicação e esses mesmos jornalistas insistido, durante décadas, que esses dois «países amigos» eram «Estados moderados»? Após a destruição da «atroz tirania» de Saddam Hussein no Iraque, não era o palavrão “ditadura” exclusivamente reservado, no mundo árabe-muçulmano, ao regime iraniano? Como? Havia então outras ditaduras nessa região? E a nossa comunicação social, nesta nossa democracia exemplar, escondera-nos isso?
Aqui está, em todo caso, uma primeira revelação que devemos ao revoltado povo da Tunísia. A sua prodigiosa vitória libertou os europeus da “retórica da hipocrisia e da dissimulação” em vigor nas nossas chancelarias e nos nossos meios de comunicação. Forçados a tirar a máscara, estes últimos fingem descobrir o que já se sabia há muito: que as “ditaduras amigas” não passam de regimes de opressão. Nesta matéria, os meios de comunicação não fizeram mais do que seguir a “linha oficial”: fechar os olhos ou olhar para o lado, confirmando a ideia de que a imprensa só é livre perante os fracos e as pessoas isoladas. Não teve Nicolas Sarkozy o atrevimento de afirmar, a propósito do sistema mafioso do clã Ben Ali-Trabelsi, que na Tunísia «existia uma desesperança, um sofrimento e uma sensação de sufoco de que, há que reconhecê-lo, não tínhamos a exacta noção»?
Aqui está, em todo caso, uma primeira revelação que devemos ao revoltado povo da Tunísia. A sua prodigiosa vitória libertou os europeus da “retórica da hipocrisia e da dissimulação” em vigor nas nossas chancelarias e nos nossos meios de comunicação. Forçados a tirar a máscara, estes últimos fingem descobrir o que já se sabia há muito: que as “ditaduras amigas” não passam de regimes de opressão. Nesta matéria, os meios de comunicação não fizeram mais do que seguir a “linha oficial”: fechar os olhos ou olhar para o lado, confirmando a ideia de que a imprensa só é livre perante os fracos e as pessoas isoladas. Não teve Nicolas Sarkozy o atrevimento de afirmar, a propósito do sistema mafioso do clã Ben Ali-Trabelsi, que na Tunísia «existia uma desesperança, um sofrimento e uma sensação de sufoco de que, há que reconhecê-lo, não tínhamos a exacta noção»?
Sem comentários:
Enviar um comentário