quinta-feira, março 24, 2011

Deve-se intervir militarmente na Líbia?

Desde a queda do regime de Ben Ali na Tunísia, uma onda de revolta submerge o mundo árabe, levada pelas imagens do canal Al-Jazira, que permite à opinião pública seguir em directo os acontecimentos. De Marrocos ao Bahrein, da Argélia ao Iraque, os cidadãos, geralmente desarmados, saem para a rua a pedir reformas políticas e mais justiça social. Na maioria dos casos, as autoridades hesitam em recorrer a um uso indiscriminado da força. Na Líbia, em contrapartida, os manifestantes depararam-se com a mais terrível repressão (O Le Monde diplomatique publica no número de Março um dossiê de oito páginas sobre “o despertar árabe”).

As informações que chegam da Líbia são contraditórias, parciais, certas vezes não confirmadas. Não há qualquer dúvida sobre a brutalidade do regime e o número de mortos é significativo: centenas, segundo as organizações não-governamentais; provavelmente mais, tendo em conta a violência utilizada pelas milícias do regime. Se o Leste do país, incluindo as cidades de Benghazi e de Tobruk, caiu nas mãos dos insurrectos, o que permitiu a entrada no país de jornalistas estrangeiros, já o lado Oeste, nomeadamente Trípoli, permanece inacessível. Aparentemente, Kadhafi recuperou o controlo da situação na capital e parece ter conservado a confiança das tribos [1] da região [2]. Anunciou, recentemente, que Trípoli estará em breve acessível a todos os jornalistas. Por outro lado, está a recorrer a mercenários de países da África subsariana, correndo o risco de fazer crescer o racismo contra os negros no país.

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